Se Bolsonaro tivesse vencido. Por Miguel Paiva

Atualizado em 4 de novembro de 2022 às 10:48
O presidente Jair Bolsonaro (PL)
Foto: Reprodução/Pablo Porciuncula/AFP

Por Miguel Paiva

Segundo eles os arruaceiros são os petralhas, a turma da esquerda e, agora, os que os venceram nas eleições. Fiquei lembrando da nossa reação ao perdermos em 2018 e, além da tristeza imensa e da constatação do efeito destruidor do voto branco e nulo, nossa reação foi de segurarmos as mãos uns dos outros. Lembro das postagens e da força que fizemos para isso.

Parece que deu certo. Lembro também da perplexidade vendo o país sendo dominado por uma turba barulhenta e sem princípios, querendo destruir tudo aqui o que já foi feito. Lembro do Magno Malta rezando com Bolsonaro e Michelle naquela casa suspeita da Barra da Tijuca.

Comparo rapidamente com o discurso da Paulista depois da vitória de Lula. Alckmin radiante diante de uma população que ele provavelmente nunca viu diante de si. Simone Tebet merecedora da população aplaudindo por toda a entrega que fez durante a campanha fazendo a gente lembrar da senadora combativa na CPI em detrimento da agropecuarista de posições duvidosas do passado. Marina Silva novamente sorrindo. Só faltou o Ciro, que a falta de visão politica o fez se isolar definitivamente.

Depois, num exercício de sadomasoquismo fiquei pensando o que seriam esses dias agora se Bolsonaro tivesse vencido. Além do carnaval fúnebre que eles sabem fazer muito bem, dos gritos de guerra, dos palavrões e ofensas aos perdedores que certamente não estariam bloqueando estradas, teríamos a perspectiva de um futuro sombrio, passos rápidos para a instalação de uma ditadura institucional com a dominação do STF, a submissão do Congresso, a formação das Forças Armadas e o sepultamento definitivo de qualquer progresso social e humano.

Cultura morta, saúde na CTI, trabalho uberizado e moradia sob os viadutos. Mas a parte mais cruel do mercado talvez estivesse feliz. Guedes certamente estaria e o orçamento secreto só aumentaria mais. Quebraríamos de modo espetacular. Estaríamos isolados definitivamente do mundo, mas, segundo eles, quem precisa do mundo.

Foi bom, de certo modo exagerado, acontecer o que aconteceu. Os bolsonaristas furiosos nas ruas, as estradas bloqueadas e os porões do governo se debatendo para não perder o poder, isso inclui parte da PRF. Mas ainda bem que demos as mãos há 4 anos. Vencemos uma batalha desonesta e injusta. Vencemos contra a máquina a pleno vapor, o derrame de dinheiro e notícias falsas, a crença fácil e despolitização do país que resulta nisso.

Não foi uma vitória apertada. Foi uma grande vitória e assim como no futebol, o que importa é bola na rede.

Texto publicado originalmente em Jornalistas pela Democracia

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