Se Flávio, o subserviente, oferecer a Amazônia a Trump, não muda nada. Por Moisés Mendes

Atualizado em 27 de junho de 2026 às 7:19
Flávio Bolsonaro e Trump. Foto: Reprodução

Há espanto generalizado com a informação de que Flávio Bolsonaro ofereceu uma equipe de transição ao governo americano, caso seja eleito. O que isso acrescenta ao que já foi oferecido por antecipação aos americanos?

Os Bolsonaros já ofereceram subserviência absoluta às ordens de Trump, acesso às terras raras, possibilidade de invasão do Brasil para caçar ‘terroristas’ e, agora, até a possibilidade de um governo compartilhado.

Oferecer uma equipe de transição, para tratar com o governo americano as preliminares sobre o que seria mais um governo fascista, não muda nada. Uma equipe de transição faria o quê?

Essa é a questão não bem explicada, a partir da informação contida em carta de Marco Rubio a Flávio Bolsonaro, em que o secretário de Estado agradece “a generosa oferta” do time de transição.

Marco Rubio
O secretário de estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e o pré-candidato a presidência, Flávio Bolsonaro (PL). Foto: Reprodução/Redes Sociais

Essa equipe oferecida por Flávio iria informar o governo dos Estados Unidos sobre o que Flávio poderia fazer logo que assumisse, com base em informações que recebesse do governo de Lula? Transição envolve equipes de quem está no governo e de quem vai assumir, após uma eleição, e significa acesso a informações.

Quem vai assumir quer saber da situação de áreas específicas. Que informações Flávio levaria a Trump?
Diria como seria o começo do seu governo? Transmitiria a Trump informações que uma equipe de transição de Lula passasse à sua equipe? Não está claro o significado dessa oferta.

Flávio deve ter prometido aos Estados Unidos que o governo fascista de Trump ficará sabendo dos seus primeiros movimentos, caso eleito, antes de assumir. Movimentos que devem interessar aos americanos.

É traição aos interesses nacionais. Não há controvérsia na oferta. Mas a atitude não altera o quadro geral em que os Bolsonaros se colocam como subalternos aos interesses americanos.

Quem vai mudar o voto por causa dessa nova informação de Maria Cristina Fernandes, no jornal Valor Econômico? Sabemos que, se Flávio enviasse carta a Marco Rubio oferecendo a Amazônia, não mudaria quase nada.

Moisés Mendes
Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim) - https://www.blogdomoisesmendes.com.br/