Se fosse juiz de si mesmo, o que Moro faria com Moro? Por Moisés Mendes

PUBLICADO NO BLOG DE MOISÉS MENDES

POR MOISÉS MENDES

Sergio Moro, o ex-juiz que não queria melindrar Fernando Henrique, disse o seguinte hoje em nota oficial:
“O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, não reconhece a autenticidade de supostas mensagens obtidas por meios criminosos, que podem ter sido editadas e manipuladas, e que teriam sido transmitidas há dois ou três anos”.

Não reconhece? Não se lembra do que conversou sobre FH, como também não se lembra das biografias que leu?
Alguém exposto mais uma vez pelos vazamentos de conversas indecorosas não pode dizer apenas que não reconhece as mensagens publicadas pelo Intercept.

Tem de afirmar com vigor: é mentira, eu nunca disse e nunca diria que um político suspeito não pode ser melindrado.

Sergio Moro teria de ser afirmativo, assertivo, categórico, ou não dizer nada.
Por que Sergio Moro não se encoraja e desmente logo o Intercept?

Outra questão. Sergio Moro determinou 115 prisões preventivas na Lava-Jato e repetiu sempre o mesmo argumento: evitar que os acusados destruíssem provas, influenciassem e ameaçassem testemunhas ou fugissem.
Alguns presos preventivos ficaram encarcerados sem julgamento por quase dois anos em nome da preservação de provas.

Sergio Moro e seus procuradores passavam dando aulas com esse ensinamento: destruir provas é crime.
Vamos lembrar então: destruir provas é crime. Incluindo, claro, mensagens com conversas escabrosas em celulares.

Repetindo: destruir provas é crime.

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