“Se não tiver saúde, não vai ter Copa”: como foi o 5º ato contra o mundial em São Paulo

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Debaixo de chuva constante, cerca de 2 mil pessoas protestaram novamente contra a Copa do Mundo e associaram a canalização de recursos federais para o megaevento em contrapartida com a precária situação da saúde pública.

Todos os atos têm sido temáticos e o da noite de ontem tinha o mote “Se não tiver saúde, não vai ter Copa”. Moradia, direitos e educação já estiveram nas edições anteriores.

“O que acontece nas unidades de saúde é um crime, tanto com relação à vida de quem é atendido como aos trabalhadores. E investe-se na Copa? O pessoal do raio X do Hospital das Clínicas está em greve nesse momento, os trabalhadores da saúde estão lutando na assembléia em campanha salarial e a resposta é sempre ‘não tem dinheiro’. Não há dinheiro para os trabalhadores mas tem para uma empresa privada como a Fifa. Qual de nós tem dinheiro para ir a esses jogos? Para nós, não existe Copa”,  disse Maria Aparecida dos Santos, 55 anos, dirigente do Sindicato da Saúde de SP e integrante de Fórum Popular da Saúde desde 2009.

José de Freitas, de 86 anos, tem sido figura marcante nas manifestações. Professor de sociologia aposentado, porta um cartaz. “É um país deficiente, o país da mentira. Não há verba para nada mas gasta-se 90 bilhões em arenas? Onde estamos? É a Copa dos milionários, dos empresários sonegadores.”

 

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Nem todos são veteranos de rua. Felipe Dacar Pereira, 28 anos é funcionário público e está pela primeira vez na manifestação. “É contraditório ter uma Copa milionária e não ter investimentos na saúde pública. Acho ótimo que (o protesto) provoque um desconforto nas autoridades e espero que ocorra uma reforma na saúde. Que se destine 5 ou 10% do PIB com a saúde, por exemplo. Todas as grandes cidades do Brasil deveriam se mobilizar.”

A manifestação percorreu as avenidas Paulista e Rebouças, terminando com o costumeiro jogral no entroncamento com a avenida Vital Brasil. Logo após a dispersão, 3 ou 4 mascarados menores de idade e desgarrados da massa (inclusive dos adeptos da tática black bloc) quebraram três fachadas de agências bancárias.

Grande parte dos manifestantes correu para a estação Butantã do metrô no intuito de evitar qualquer confronto com a polícia. Boa parte deles foi, entretanto, impedida pelos seguranças da linha amarela de ultrapassar as catracas e com a chegada das tropas (inclusive o Choque), 54 pessoas foram detidas. 50 delas liberadas ainda de madrugada.

O próximo ato está agendado para o dia 29 de abril. Com notícias sempre tão desagradáveis a respeito dos desvarios financeiros pululando a todo dia, certamente o estado de espírito dos manifestantes não se tornará mais amistoso. As delegações da Alemanha e do Japão optaram por não pagar impostos durante suas estadas aqui, algo previsto na Lei Geral da Copa e extensível a todas as seleções. Por quê? Por que eu, você e o padeiro pagamos, mas são as entidades milionárias quem têm esse benefício?

São questões que vão continuar repercutindo até junho, pelo menos.

José de Freitas, professor aposentado
José de Freitas, professor aposentado

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