“Se tivermos medo, eles vencerão”: os ataques ao Tijolaço. Por Fernando Brito

Vítima de hackers: Brito
Vítima de hackers: Brito

Por Fernando Brito, do Tijolaço

Agradeço às manifestações de apoio contra o ataque cibernético ao Tijolaço.

Creio que o trabalho do pessoal técnico durante a noite de ontem e a madrugada de hoje conseguiu superar não apenas os ataques que sobremos anteontem e ontem como as perdas de configurações internas que provocaram, embora possam existir problemas residuais.

O endereço alternativo – e mil endereços alternativos usaremos, se preciso – continua no ar e será mantido atualizado até que novas providências de segurança sejam implementadas no blog.

O blog e eu não temos qualquer importância, porém. Há muito, tão bons ou melhores que nós e não vão tirar a todos do ar.

E se não pudermos escrever aqui, escreveremos lá, e lá, e lá.

O que tem importância é o que está acontecendo com o nosso país, as nossas liberdades, que são aquilo que nos ergue à condição de seres humanos.

Não é possível que, 62 anos após 1964 e quase 80 anos apos a subida ao poder do nazismo, haja gente que queira matar ideias na fogueira.

Impedir que se publique, com artifícios e ataques cibernéticos, é o mesmo que incinerar textos.

Quem se insurge contra isso sabe ao que se arrisca, não precisa de solidariedade, embora ela seja gentil.

Sua única defesa é que essa resistência se espalhe, porque ser decidido não é ter a pretensão de heroísmos que, no mais das vezes, são inúteis.

Valentia, mesmo, é fazer o que a liberdade – ainda – nos permite: escrever, falar, ponderar, fazer sentir às pessoas honestas que não estamos lutando pelo PT, por Dilma, mas por todos.

Estamos lutando por nossa liberdade de sermos seres humanos, com voz e ideias.

Os homens do “primado da lei” desavergonhadamente insuflam o fanatismo e a intransigência.

Os que não o fazem acovardam-se sob o mando de uma neutralidade impossível, porque o outro lado vocifera e presta-se até a fazer vídeo “selfie” com militantes da extrema-direita.

Claro que amedronta saber que há gente à espreita para atacar e que até a casa de um Ministro do Supremo pode ser palco de selvageria sem que nada aconteça.

Há um velho filme, de Anthony Quinn, onde ele é um velho professor que lidera a resistência dos beduínos líbios à tomada do país pela Itália. A força bélica é irresistível, mas quando os tanques do fascismo avançam sobre os nacionalistas, armados apenas dos fuzis Mauser de ferrolho, eles amarram uma das pernas às costas, para que não possam seguir os impulso do medo, que é humano, e não debandem das trincheiras.

Felizmente, nós não precisamos fazer isso.

O nosso gesto de coragem insiste em desamarrar nossas próprias línguas.

Se tivermos medo, eles vencerão.

Se formos raivosos como eles são, vencerão também, porque o ódio é seu campo.

Mas que não se confunda isso com covardia ou hesitação.

Até porque acovardar-se ou hesitar é compreensível num homem, mas impossível de acontecer a um povo.

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