Secretária de imprensa da Casa Branca é acusada de manipular apostas em mercado de previsão

Atualizado em 8 de janeiro de 2026 às 14:05
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, durante coletiva. Foto: Reprodução

Internautas que acompanham mercados de previsão passaram a acusar a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, de uso de informação privilegiada após o encerramento antecipado de uma coletiva realizada na quarta-feira (7). O término ocorreu menos de 30 segundos antes do limite estabelecido para apostas relacionadas à duração do evento.

A denúncia ganhou força depois de um post no X, com mais de dez milhões de visualizações, publicado por um apostador. Segundo ele, usuários do site Kalshi indicavam 98% de chance de a coletiva ultrapassar 65 minutos. No entanto, Leavitt encerrou a fala de forma abrupta, aos 64 minutos e 30 segundos.

Com isso, quem havia apostado na opção “Não” — isto é, que a coletiva não ultrapassaria o tempo estipulado — obteve um retorno estimado em até 50 vezes o valor investido, de acordo com o autor da postagem.

As regras do contrato estabeleciam que a contagem consideraria o intervalo entre “a primeira e a última palavra audivelmente proferida por Karoline Leavitt”, incluindo pausas ocorridas dentro desse período. O encerramento poucos segundos antes do limite levantou suspeitas entre apostadores.

Mercados de previsão funcionam como plataformas nas quais usuários negociam contratos sobre resultados de eventos futuros, que vão desde fatos políticos até temas de entretenimento ou atividade em redes sociais de figuras públicas.

Após a divulgação do vídeo da coletiva, usuários passaram a apontar que Leavitt olha rapidamente para cima nos instantes finais, como se estivesse checando um relógio. A principal acusação é a de que alguém ligado à secretária ou à equipe da Casa Branca teria feito uma aposta no resultado negativo nos minutos finais, com base em informação antecipada.

A repercussão incluiu comentários de figuras públicas. O estrategista democrata Mike Nellis afirmou que “vivemos na linha do tempo mais burra”. Outro usuário questionou: “Em que estágio do capitalismo a Casa Branca passa a interferir em apostas sobre a duração de coletivas enquanto nega crimes de guerra?”. Em referência a polêmicas recentes, um terceiro comentou: “Isso não é sustentável”.

Sequestro de Maduro e apostas milionárias

O episódio envolvendo Leavitt se soma a outras controvérsias recentes ligadas a mercados de previsão e ações do governo americano. A mais recente diz respeito ao sequestro do presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

Horas antes da ação militar dos Estados Unidos, o Polymarket — principal plataforma do setor — registrou um aumento expressivo nas apostas de que Maduro deixaria o poder até 31 de janeiro. Segundo o site Axios, uma conta recém-criada teria apostado US$ 30 mil nesse cenário.

Após o anúncio oficial da prisão, o responsável pela aposta teria obtido um lucro de US$ 436,7 mil, cerca de R$ 2 milhões. Apostadores levantaram a suspeita de que se trataria de um caso semelhante ao da coletiva: alguém com acesso a informação interna teria apostado diretamente ou por meio de terceiros.

Apesar disso, o desfecho também gerou revolta. O Polymarket se recusou a pagar os ganhos, alegando que, de acordo com seus critérios, a captura de Maduro não se enquadraria como uma invasão. A aposta movimentou aproximadamente US$ 10 milhões.

Um usuário identificado como Skinner, citado pelo jornal britânico The Guardian, criticou a decisão da plataforma: “O Polymarket chegou a um nível extremo de arbitrariedade. Palavras passam a ter significados redefinidos conforme a conveniência, e os fatos são ignorados. Dizer que uma incursão militar, o sequestro de um chefe de Estado e a tomada de um país não configuram invasão é absurdo”.

Polymarket e Kalshi são hoje os principais sites de mercados de previsão e acumulam crescente atenção — e controvérsia — por sua interseção direta com decisões políticas e ações de governo