Secretário pede exoneração após posts atacando eleitores de Lula

Atualizado em 29 de outubro de 2026 às 6:53
O secretário-adjunto de Direitos Humanos e Cidadania de Guarujá, Airton Sinto. Foto: Divulgação

O secretário-adjunto de Direitos Humanos e Cidadania de Guarujá, Airton Sinto, deixou o cargo após defender em redes sociais que empresários não contratem nem mantenham funcionários identificados com a esquerda ou eleitores de Lula (PT). A exoneração, solicitada por ele, passou a valer em 28 de outubro, data em que saiu no Diário Oficial do município.

Airton Sinto publicou um vídeo com o que chamou de “dicas para empresários” e sugeriu que empregadores afastassem trabalhadores que considerem o patrão um opressor. Após a repercussão, ele apagou a publicação de seu perfil aberto no Facebook.

“Não contrate quem odeia empresário e empregador. Não mantenha no seu hall de empregados quem entende que você é opressor. Não mantenha no seu quadro de funcionários quem te odeia”, disse o então secretário-adjunto no vídeo.

Em outra postagem, o advogado afirmou que empresários de direita instalados em estados onde a maioria apoia a esquerda poderiam fechar seus negócios e reabri-los em São Paulo. Ele também compartilhou uma mensagem que classificava como exemplo o cancelamento de um evento natalino solidário no Rio Grande do Sul após uma eleição.

Publicações de Airton Sinto. Foto: Divulgação

A 73ª Subseção da OAB-SP, em Guarujá, afirmou que discriminar, excluir ou restringir oportunidades profissionais por convicção política é incompatível com o Estado Democrático de Direito. A entidade se manifestou após a circulação das postagens.

Na nota, a OAB declarou que a advocacia exige conduta orientada pela dignidade humana, ética, independência, urbanidade e respeito aos direitos fundamentais. A subseção acrescentou que defender a recusa de contratação exclusivamente por convicções políticas provoca preocupação ética e institucional.

Airton Sinto afirmou ser “um homem de direita” e disse que exerceu sua liberdade de expor opiniões, sem ofensa moral ou legal contra pessoas ou grupos. Ele negou ter incitado perseguição ou violência e sustentou que sua escolha de não se relacionar profissionalmente com pessoas de esquerda não contém “traço de preconceito ou segregação”.

A Prefeitura de Guarujá declarou que a exoneração ocorreu a pedido do secretário-adjunto e classificou as publicações como manifestação pessoal. A administração do prefeito Farid Said Madi (Podemos) afirmou que o posicionamento de Airton Sinto não corresponde ao do governo municipal.

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