Sem aviso a pais e professores, gestão Tarcísio propõe separar alunos por rendimento

Atualizado em 7 de fevereiro de 2026 às 21:55
Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo. Foto: reprodução

O governo de Tarcísio de Freitas iniciou um experimento nas escolas estaduais paulistas que divide alunos de uma mesma série em turmas diferentes de acordo com o rendimento escolar. Batizado de “Projeto Voar”, o piloto será aplicado do 6º ao 9º ano do ensino fundamental em 147 unidades da rede estadual. As informações são da Folha de S.Paulo.

Nas escolas selecionadas, os estudantes foram separados em turmas “padrão” e “adaptada” com base no desempenho em língua portuguesa e matemática no Saresp de 2025. Alunos com menor defasagem ficaram nas turmas padrão, enquanto aqueles com desempenho abaixo do básico foram alocados nas adaptadas. Segundo dados da Secretaria da Educação, 74% das turmas do 7º ao 9º ano nas escolas participantes serão do tipo adaptada.

Pais, alunos e professores afirmam que não foram informados previamente sobre a adesão ao experimento. Relatos apontam preocupação com impactos na autoestima e na trajetória escolar dos estudantes. Docentes ouvidos relataram que souberam da divisão poucos dias antes do início das aulas e receberam orientação para não informar os alunos sobre os critérios de separação.

Sala de aula. Foto: Reprodução

A Secretaria da Educação, comandada por Renato Feder, afirma que o objetivo é acelerar a aprendizagem dos estudantes com maior dificuldade. O subsecretário pedagógico da pasta, Daniel Barros, disse que o conteúdo será o mesmo, mas com ritmos diferentes. “O ritmo da turma adaptada será mais devagar”, explicou. “O professor pode voltar em habilidades que deveriam ter sido aprendidas em séries anteriores”, afirmou.

Especialistas criticam a iniciativa e lembram que políticas semelhantes já foram adotadas no passado e abandonadas. O professor Fernando Cássio, da Faculdade de Educação da USP, afirmou que a medida reforça problemas da padronização curricular. “Ao restringir a autonomia dos professores, a padronização pode gerar frustração e sensação de fracasso”, disse. Para ele, a proposta tende a reforçar estigmas ao invés de reduzi-los.

A secretaria informou que o projeto será avaliado por um ano, com acompanhamento da organização Parceiros da Educação e de um “time de educação de Harvard”. Outras 95 escolas foram selecionadas como grupo de controle. Caso os resultados não sejam considerados positivos, o governo afirma que o experimento poderá ser encerrado em 2027.