
A ausência de três dos principais puxadores de voto de São Paulo em 2026 criou um desafio direto para Partido Liberal e PSOL. Fora da disputa para a Câmara dos Deputados, Eduardo Bolsonaro, Guilherme Boulos e Carla Zambelli deixam as legendas sem seus campeões de votação no maior colégio eleitoral do país.
Em 2022, os três foram os deputados federais mais votados do estado, somando quase 2,7 milhões de votos. Boulos teve 1.001.472 votos, Zambelli recebeu 946.244 e Eduardo alcançou 741.701. Esse desempenho foi decisivo para o tamanho das bancadas eleitas e para o acesso a recursos dos fundos partidário e eleitoral.
O trio ficará fora da eleição por motivos distintos. Ela foi condenada em dois processos no Supremo Tribunal Federal, está presa na Itália e tornou-se inelegível. O filho do Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde o início de 2025, é réu no STF, teve o mandato cassado por excesso de faltas e pode ficar inelegível caso seja condenado.
Boulos assumiu o comando da Secretaria-Geral da Presidência no governo Lula e afirmou que não deixará o cargo para disputar a eleição. A força eleitoral desses nomes ajudou a estruturar as bancadas partidárias.
No caso do PL, a votação expressiva de lideranças bolsonaristas contribuiu para que a sigla se tornasse a maior da Câmara, com 99 deputados, ampliando sua fatia nos fundos públicos. Esse tipo de candidato, conhecido como puxador de votos, costuma eleger outros nomes menos conhecidos na mesma legenda.
Sem esses votos garantidos, os partidos passaram a redesenhar suas estratégias em São Paulo. No PL, a principal aposta envolve a família Bolsonaro. Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente Jair Bolsonaro, será candidato a deputado federal com o número 2222, o mesmo usado por Eduardo na eleição anterior, com aval do ex-presidente.

Outra aposta do PL é Gil Diniz, deputado estadual conhecido como “Carteiro Reaça”, que concorrerá à Câmara com apoio direto de Eduardo Bolsonaro. A sigla também lançou Lucas Pavanato, vereador mais votado da capital em 2024, com 161.386 votos, e forte presença nas redes sociais.
Para André do Prado, dirigente do partido, “temos a maior bancada da Câmara e o maior fundo eleitoral. Estamos com maior estrutura para disputar a eleição”. O presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, chegou a articular a transferência do domicílio eleitoral de Nikolas Ferreira para São Paulo, tentativa que não avançou.
O receio é que os novos nomes não repitam o desempenho dos puxadores de 2022. No PSOL, a principal aposta para ocupar o espaço de Boulos é Érika Hilton. A presidente nacional do partido, Paula Coradi, afirma que “ela conseguiu ampliar o eleitorado para fora da bolha que o PSOL tem contato e conversar com setores que, antes, nós não dialogávamos”.
Para igualar Boulos, Érika precisaria quase quadruplicar sua votação de 2022, quando teve 256.903 votos. Além dela, o partido aposta em Natália Szermeta, esposa de Boulos, que lançou pré-candidatura com apoio de movimentos sociais como o MTST, e em nomes como Juliano Medeiros e Guilherme Cortez.