Sem o Coaf, delegada Érika Marena, do caso do reitor que se suicidou, volta a Floripa. Por Renan Antunes

Delegada Erika Mialik Marena

O ministro da Justiça Sergio Moro despachou para Santa Catarina, na surdina, a delegada Érika Marena para conduzir a Operação Alcatraz, em andamento – ela se considera uma especialista em problemas de Floripa e gosta de morar perto da praia.

A operação foi assim batizada porque ela considera a capital catarinense “uma ilha cheia de bandidos”, como a célebre prisão americana, contou uma fonte ao DCM.

Érika Marena voltou em sigilo porque saiu de Floripa em 2017, dois meses depois da ruidosa Operação Ouvidos Moucos, que resultou no suicídio do reitor da UFSC Cao Cancellier.

A Ouvidos Moucos foi a “maioridade” de Érika, depois de trabalhar por quatro anos na Lava Jato em Curitiba, até ser lotada como chefe em SC – também foi ela quem batizou a Lava Jato.

Em Floripa, em 2016, ela iniciou uma mega operação para prender professores da UFSC suspeitos de fraudar programas de educação à distância.

No final da operação, mandou prender o reitor da universidade.

Ele foi solto dias depois por um habeas corpus.

Proibido de ir ao campus, Cancellier se matou pulando do alto de um shopping de Floripa.

As acusações contra ele nunca foram provadas.

A atuação de Érika Marena no caso foi investigada pelo Ministério da Justiça no governo Temer.

A transferência dela de Floripa para Sergipe foi entendida como uma punição, embora tenha ganhado um cargo superior.

No início da Era Bolsonaro, Moro a nomeou para a área de Cooperação Jurídica Internacional da PF, outro prêmio na carreira.

Com Moro, que supostamente teria reservado o Coaf para a delegada, se o órgão não tivesse sido tirado de seu ministério pelo Congresso, Érika obteve mais mobilidade, conseguindo voltar a Floripa.

Ela está atuando sem nenhum comunicado oficial como aquele de sua saída.

Agora comanda a Alcatraz.

A operação investiga o suposto pagamento de propinas a políticos via notas frias para uma agência de publicidade, no valor de R$ 30 milhões.

O principal implicado é o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Júlio Garcia (PSD).

Desta vez a delegada pediu a prisão de onze bagrinhos, mas não tocou em Garcia.

 

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