Sem o conluio do “jornalismo” da Globo, a farsa da Lava Jato jamais teria ido tão longe. Por Kiko Nogueira

Miriam Leitão, Moro e o filho dela, Vladimir Netto

A bomba do Intercept sobre a farsa da Lava Jato deveria resultar na prisão de Sergio Moro e Deltan Dallagnol e a soltura imediata de Lula.

A liberdade do ex-presidente está no horizonte pelo conjunto da obra.

A detenção de Moro e Dallagnol simplesmente não vai acontecer.

A série de reportagens reunindo chats privados dos próceres da República de Curitiba é um marco do jornalismo brasileiro.

São quatro partes.

Uma delas mostra como os procuradores tramaram para impedir entrevista de Lula antes das eleições por medo de que ajudasse a “eleger o Haddad”.

Outra expõe a colaboração proibida do ex-juiz com Dallagnol com riqueza de detalhes. 

É um material riquíssimo e de onde veio isso, avisam os jornalistas, tem mais.

Provavelmente saberemos de vazamentos para a velha mídia — sem a qual nada dessa vergonha seria possível.

A imprensa, desde o começo, se comportou como parte integrante do esquema, relações públicas dos cruzados curitibanos, totalmente acrítica.

Quantas capas a Veja dedicou a Moro? 

A Globo chegou a montar uma “sala de guerra”, a mando do diretor de jornalismo Ali Kamel, para lidar com as delações que inundavam a emissora.

Montada em 2017, tinha lugar para 22 pessoas. 

“O resultado do trabalho dessa equipe, liderada por Ricardo Villela quando diretor de Brasília, foi magistral: sabíamos de tudo sobre todos. E assim a TV Globo deu furo atrás de furo naquela cobertura histórica”, escreveu Kamel num e-mail.

Visto em retrospectiva, soa neste momento como a confissão de um crime.

A condução coercitiva de Lula foi antecipada pelo então redator-chefe da Época, Diego Escosteguy (hoje à frente de um blog que ninguém lê).

De acordo com o Intercept, Deltan achou “tesao demais essa matéria do O GLOBO de 2010. Vou dar um beijo em quem de Vcs achou isso.”

A matéria referida era Caso Bancoop: triplex do casal Lula está atrasado, a primeira a tratar do apartamento.

“Conversei com a TATIANA FARAH DE MELLO, que fez a reportagem em 2010 sobre o TRIPLEX. Ela realmente confirmou que foi para GUARUJA e lá colheu diversas informações sobre os empreendimentos da BANCOOP”, diz o procurador Januário Paludo.

No comitê central, Míriam Leitão nunca poupou elogios a Moro.

Seu filho, Vladimir Netto, escreveu um livro laudatório sobre a coisa toda que ficou no topo das listas de best sellers por meses.

Milhares de leitores feitos de trouxas por um repórter do Jornal Nacional, ex-vice presidente da Associação Brasileira de Jornalistas Investigativos, Abraji.

Segundo Vladimir conta em seu opúsculo, Moro exibia “rigor e coragem” ao conduzir os casos “com maestria”.

O maringaense era também parte de uma geração “que trabalha com afinco em busca de resultados”.

Vê-se agora o verdadeiro resultado dessa trabalheira.

Jair Bolsonaro está aí. Moro é ministro.

O Brasil aguarda ansiosamente a autocrítica dessa turma — que não virá.

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