Sem pedir perdão, Gabeira e Huck querem uma frente ampla que os perdoe pelo que fizeram na eleição passada

Fernando Gabeira e Luciano Huck querem que você esqueça o que fizeram no verão passado e lhes dêem as mãozinhas para construir um novo Brasil.

É bonito de ver. Dá vontade de chorar.

No Twitter, Huck endossou um artigo pedestre de Gabeira. “Depende de nós frear a marcha totalitária, deter o obscurantismo. É só querer”, escreve.

É a Turma do Balão Trágico.

“Não esperávamos por essa. No entanto, não dá mais para ignorar que o sinal vermelho do regime autoritário está aceso no Brasil”.

Como assim não esperávamos?? Bolsonaro estava há 30 anos pregando a morte, a tortura. Passou um tempo vomitando na Câmara ao lado do Gabeira.

E ele não viu? Claro que viu.

Mas pregou em 2018, por exemplo, que “é necessário ter uma visão construtiva com Jair Bolsonaro”.

A ideia é “uma frente democrática ampla, madura, sem conflitos de egos, sem estúpidas lutas pela hegemonia, tão comuns na esquerda”.

Ou seja, não tão ampla, uma vez que você já chuta os esquerdistas ególatras, certo?.

É um “esforço molecular”. Ele mesmo se defende: “Não interessa agora saber de quem é a culpa pela marcha do obscurantismo. É preciso detê-la.”

A coisa parece escrita por aquele seu colega pilantra que puxava o saco da professora — um Luciano Huck, digamos.

O virtual candidato à presidência termina seu endosso a Gabeira com um chamado picaresco: “Vamos juntos sonhar e fazer um Brasil que nos traga de volta a alegria e o orgulho de ser brasileiro”.

Jesus amado.

Não é apenas que todo mundo sabe o papel deles na tragédia nacional. Ontem, mesmo, estavam votando no monstro e o normalizando.

Gabeira ainda é assessor de imprensa da Lava Jato. Vendeu livro com Dallagnol.

Huck abriu o coração sobre a tarde em que mandou Dilma tomar naquele lugar na abertura da Copa? Dê uma olhada no vídeo abaixo.

A questão é esse pedido de desculpas que está faltando, meninos. É necessário o proverbial “foi mal aê, sorry, pessoal”.

Como era o nome, mesmo? Autocrítica?

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