Sem plano B, Lula não deve indicar outro nome ao STF após derrota de Messias, dizem aliados

Atualizado em 30 de abril de 2026 às 7:11
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jorge Messias, da AGU, conversando ao pé do ouvido, sentados lado a lado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jorge Messias, da AGU – Reprodução

O presidente Lula não trabalha com um plano B para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) após a rejeição de Jorge Messias pelo Senado na última quarta-feira (29). O advogado-geral da União recebeu 34 votos favoráveis, sete a menos que o mínimo necessário, e teve 42 votos contrários. Foi a primeira rejeição de um indicado ao Supremo em 132 anos.

Segundo o Globo, o presidente já havia dito a pessoas próximas que não pretendia enviar outro nome caso Messias fosse barrado. A vaga foi aberta com a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso, e a indicação do chefe da AGU estava em tramitação havia mais de cinco meses.

Após o resultado, o senador Weverton Rocha (PDT-MA), relator da indicação, afirmou que Lula já havia tratado dessa possibilidade. “O Presidente Lula sabe como funcionam determinados movimentos ou recados. Mas o mais importante é que ele tem maturidade suficiente e tenho certeza que ele vai chamar toda a base do seu governo e vai conversar. Lá atrás, ele já tinha me dito que não iria mandar outro nome caso isso acontecesse, então não vamos discutir nomes. O que está se discutindo é que impuseram uma derrota a uma pessoa que nada tinha a ver com o processo eleitoral”, disse Weverton.

A derrota no Senado ampliou a tensão entre o governo e o Congresso a menos de seis meses da eleição. Messias enfrentou resistência da oposição e da cúpula do Senado, especialmente do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em pé, falando, sério
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre – Reprodução

Auxiliares de Lula atribuem o resultado a uma articulação de Alcolumbre contra o indicado. O senador, antes tratado como um dos fiadores da governabilidade no terceiro mandato de Lula, afastou-se do Planalto após o presidente escolher Messias para o STF, em vez de Rodrigo Pacheco (PSB-MG), aliado de primeira hora do presidente do Senado.

Até a véspera da sabatina, integrantes do governo tentaram obter um gesto público de apoio de Alcolumbre a Messias, o que não ocorreu. Pacheco, por outro lado, apareceu em foto com o chefe da AGU em um evento que formalizou o apoio da bancada do PSB à indicação.

Nos bastidores, aliados de Lula passaram a defender que o presidente deixe a cadeira vaga no STF por enquanto. A avaliação desse grupo é que uma nova indicação, feita em meio à crise política, poderia expor o governo a outra derrota no Senado.

O argumento também leva em conta o calendário eleitoral. A escolha de um ministro do Supremo exige indicação formal, sabatina na Comissão de Constituição e Justiça e votação no plenário. Governistas avaliam que, com o recesso de julho e a eleição se aproximando, haveria pouco espaço político para concluir um novo processo com segurança.

Outra ala do governo defende o movimento contrário. Para esses interlocutores, Lula deveria reagir ao revés e enviar ao Senado um nome considerado difícil de rejeitar. Entre governistas, há quem veja na indicação de uma mulher negra uma forma de recompor diálogo com setores da base progressista, que já cobravam esse perfil antes da escolha de Messias.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.