
O Senado do Paraguai retoma nesta sexta-feira (6) o julgamento do processo de impeachment do presidente Santiago Peña, pressionado pela crise provocada pela quebra do banco digital Ueno. A sessão, marcada para as 10h, será dedicada à apresentação da defesa do presidente.
Peña poderá comparecer pessoalmente ao Senado ou enviar um advogado para falar em seu nome. Na primeira sessão, na noite de quinta-feira (5), os parlamentares apresentaram as denúncias e elegeram o comitê responsável pelo caso.
O presidente do Congresso, Basilio Núñez, afirmou que o julgamento terá outras três etapas, totalizando cinco fases. Ele disse que o Senado não deve encerrar a análise em um único dia para cumprir os procedimentos previstos e evitar questionamentos jurídicos.
Após a defesa, os senadores deverão examinar as provas apresentadas pela acusação e por Peña. As partes ainda terão direito às alegações finais antes da votação dos 45 integrantes do Senado.

Quebra do banco Ueno abriu crise contra Peña
O processo avançou depois que o banco Ueno, pertencente ao Grupo Vázquez, fechou as portas na terça-feira (3). O Banco Central do Paraguai iniciou a liquidação da instituição ao concluir que ela não tinha recursos suficientes para cobrir suas obrigações financeiras.
O Ueno tinha cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, entre eles recursos do Instituto de Previdência Social. Peña foi acionista do grupo dono do banco até março de 2025.
Parlamentares da oposição acusam o presidente de conflito de interesses, manipulação de regras e irregularidades ligadas a recursos previdenciários. A acusação também sustenta que o Banco Central teria encoberto dificuldades financeiras da instituição.
Para afastar Peña em definitivo, o Senado precisa de ao menos 30 votos, equivalente a dois terços da Casa. Caso os senadores aprovem o impeachment, o vice-presidente Pedro Alliana assumirá o governo até o fim do mandato, em agosto de 2028; se rejeitarem o processo, Peña continuará no cargo.