
A senadora paraguaia Esperanza Martínez citou Flávio Bolsonaro (PL) ao defender que as autoridades do país atuem rapidamente contra o presidente Santiago Peña, alvo de um pedido de julgamento político e de investigação sobre supostos crimes financeiros. A fala ocorreu durante uma reunião no Senado do Paraguai nesta quinta (5).
“Que ele seja formalmente acusado para que não saia do país e que seus bens sejam confiscados, afinal, existe o risco de acontecer o mesmo que ocorreu com [Flávio] Bolsonaro”, disse Martínez. Ela cobrou providências do Ministério Público e afirmou que o órgão já tinha em mãos um pedido de acusação contra o presidente.
Martínez declarou que o Ministério Público precisa “parar de enrolar” e agir de modo “rápido” e “certeiro”. A senadora tratou do risco de Peña deixar o país antes de uma eventual responsabilização judicial.
A referência da parlamentar foi associada a Flávio Bolsonaro (PL), que teria deixado o Brasil após perder a eleição presidencial para Lula (PT). Ele é investigado pela Polícia Federal em três processos, entre eles apurações sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Câmara aprova julgamento político contra Santiago Peña
A Câmara do Paraguai aprovou, por 78 votos, o pedido de julgamento político contra Peña. O processo seguirá para o Senado, que precisa reunir o apoio de dois terços dos parlamentares para afastar o presidente.
O caso ganhou força após a crise do Ueno Bank, instituição financeira digital que fechou as portas nesta semana. O Banco Central do Paraguai determinou o fim das atividades do banco em 3 de novembro ao apontar insolvência da instituição.
Economista, Peña manteve participação acionária na Ueno Holding até março de 2025. A empresa tem ligação com o grupo controlador do banco, investigado por suspeitas relacionadas à gestão e a empréstimos para companhias vinculadas ao próprio grupo.
O Ministério Público pediu investigação criminal sobre o Ueno Bank e a prisão de dois dirigentes da instituição. O órgão também acatou um pedido para investigar supostos crimes financeiros atribuídos a Peña, que anunciou a intenção de renunciar ao cargo antes do avanço do impeachment.
O Congresso paraguaio ainda decidirá se aceita a renúncia. Parlamentares avaliam manter o julgamento político, pois a saída voluntária daria a Peña o direito de ocupar uma cadeira de senador vitalício, com prerrogativas legislativas.