Senadores dizem que impeachment de Moraes é inevitável

Atualizado em 19 de outubro de 2026 às 14:51
O ministro Alexandre de Moraes. Foto: Fellipe Sampaio/STF

Senadores que tomarão posse em 2027 avaliam que uma eventual saída antecipada do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), não encerraria a pressão pela abertura de um processo de impeachment. Mesmo parlamentares contrários ao afastamento de ministros acreditam que o desfecho é inevitável, segundo a coluna Painel na Folha de S.Paulo.

O tema ganha força entre eleitos que fizeram do enfrentamento ao STF uma de suas principais bandeiras. Na avaliação de cardeais do Senado, esse perfil reduz o espaço para um acordo que troque a aposentadoria de Moraes ou de outro ministro pelo abandono de pedidos de impeachment.

O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador político da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), procurou magistrados nas últimas semanas para transmitir a mensagem de que não haverá ruptura institucional caso Lula (PT) seja derrotado na eleição.

Moraes tem 57 anos e pode permanecer no STF até 2043, quando completará 75 anos, pela regra atual. O ministro se tornou alvo prioritário do bolsonarismo após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe.

Disputa pelo Senado pode definir andamento de pedidos

Flávio Bolsonaro em ato político na avenida Paulista
Escultura da Justiça com os olhos vendados e uma balança diante da sede do STF, em Brasília. Foto: Reprodução

A abertura de um processo de impeachment de ministro do STF depende do presidente do Senado. A senadora Tereza Cristina (PP-MS), que se apresenta como candidata ao comando da Casa, tem dito que não criará obstáculos à tramitação.

Os principais adversários de Tereza Cristina na disputa são Rogério Marinho e o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A definição da presidência da Casa terá peso direto sobre o destino de pedidos contra integrantes do Supremo.

O debate também divide o entorno de Flávio Bolsonaro. Setores mais moderados projetam uma acomodação com o STF caso o senador vença a Presidência, enquanto a ala radical defende não apenas o impeachment de Moraes, mas sua prisão.

Em ato de 7 de Setembro, na avenida Paulista, Flávio afirmou que indicaria cinco ministros do Supremo se fosse eleito porque Moraes “vai cair”. Depois, passou a falar em “ao menos” quatro indicações, considerando as aposentadorias de Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes até 2030 e a vaga aberta com a saída de Luís Roberto Barroso.

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