Serra e a liderança pelo antiexemplo: como entender o Caso Enem

O comportamento do líder tucano nas últimas campanhas pode inspirar, em seus seguidores, golpes baixos

A liderança pelo antiexemplo

É provável que Serra simplesmente não tenha sabido nada, previamente, a respeito do caso do Enem.

Mais. É virtualmente impossível que ele soubesse. Mais ainda. É impossível. Com exclamação e maiúsculas.

Ainda assim. A ruptura de Serra com qualquer coisa parecida com ética – primeiro na campanha presidencial de 2010, quando inventou um atentado, e agora na luta pela prefeitura de São Paulo, quando brandiu contra Haddad o chamado “kit homofobia” – é, evidentemente, um estímulo para que pessoas de sua equipe recorram ao mesmo tipo de golpes baixos.

Você pode liderar pelo exemplo ou pelo antiexemplo. Faz tempo que Serra, sob a omissão escandalosa de FHC, se dedica a espalhar antiexemplos. Alguns falam na falta que Covas faz. Outro dia o jornalista Elio Gaspari escreveu que Rute Cardoso, a mulher morta de FHC, exerceria um freio moral sobre certas práticas do PSDB sob Serra.

É mais fácil imaginar Serra ouvindo mortos do que ouvindo vivos, isso é fato.

Na origem do Caso Enem está um boato que nasceu nas redes sociais: no Twitter e no Facebook. Alguém colocou a informação de que as provas de novembro próximo tinham sido canceladas, e agregou um texto do Globo que anunciava um cancelamento em 2009, quando Haddad era ministro da Educação. O objetivo era colar em Haddad o rótulo de incompetente.

Esse alguém, segundo apurou o Ministério da Educação, o MEC, é um integrante da equipe de redes sociais de Serra: o publicitário Eden Wiedmann. Ao rastrear no Twitter e no Facebook a origem do boato, o MEC chegou a Wiedmann.

“Vai Haddad!!! MEC confirma cancelamento do Enem”, dizia um tuíte de Wiedmann. Cópias deste e de outros tuítes foram encaminhadas à Polícia Federal, para a qual Wiedmann terá que prestar esclarecimentos. O cancelamento fabricado se espalhou pelo Twitter, e o site do MEC foi bombardeado por procuras de alunos interessados em esclarecimentos.

Como em geral acontece com golpes baixos, a ação de Wiedmann teve um efeito bumerangue. Virou um embaraço para ele próprio – e para Serra. É mais uma contribuição para que Serra passe à posteridade como o político mais detestado da história do Brasil.

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