‘Sicário’, comparsa de Vorcaro, tenta se matar na carceragem da PF

Atualizado em 4 de março de 2026 às 17:35
Luiz Phillipi Machado Moraes Mourão, o Sicário

A Polícia Federal informou que Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, preso na Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira (4), tentou tirar a própria vida enquanto estava sob custódia na Superintendência Regional da PF em Minas Gerais.

Policiais que estavam no local prestaram socorro imediato, iniciaram procedimentos de reanimação e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). A equipe médica deu continuidade ao atendimento e o detido foi encaminhado a um hospital para avaliação e cuidados médicos. Até a última atualização desta reportagem, não havia informações sobre seu estado de saúde.

Mourão é apontado pela investigação como integrante do grupo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a nova prisão de Vorcaro na operação, descreve o empresário como líder de uma organização criminosa estruturada em diferentes núcleos.

Entre os integrantes do grupo aparece Mourão, identificado pelo apelido de “Sicário”. Segundo a investigação, ele teria papel central na estrutura e seria responsável por executar ordens de monitoramento de alvos, obtenção ilegal de dados em sistemas sigilosos e ações de intimidação física e moral.

Conversas obtidas pela Polícia Federal indicam que Vorcaro teria orientado Mourão a levantar informações sobre pessoas consideradas problemáticas e a pressionar funcionários. Em uma troca de mensagens, ele sugere intimidar um funcionário após o monitoramento de um ex-colaborador. “O bom de dar sacode no chef de cozinha primeiro. O outro já vai assustar”, diz um dos trechos citados na investigação.

Há também mensagens relacionadas a uma empregada doméstica. Em uma delas, Vorcaro afirma que estaria sendo ameaçado e ordena a Mourão que levante dados pessoais da funcionária. “Empregada Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda”, teria escrito o banqueiro. Mourão pergunta então o que deveria ser feito e recebe a orientação: “Puxa endereço tudo”.

Os investigadores também apontam conversas envolvendo o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Segundo o relatório, após reportagens consideradas negativas, houve troca de mensagens sobre monitorar o jornalista e levantar informações sobre ele. Em determinado momento, Vorcaro teria sugerido agredi-lo fisicamente e “quebrar todos os dentes. Num assalto”.

De acordo com a investigação, as conversas revelariam uma “dinâmica violenta” entre Vorcaro e Mourão. O relatório descreve o suspeito como “longa manus” do empresário, expressão jurídica utilizada para indicar alguém que atua executando ordens de outra pessoa.

Os investigadores também afirmam haver indícios de que Mourão recebia cerca de R$ 1 milhão por mês de Vorcaro como pagamento pelos serviços ilícitos atribuídos ao grupo.

A decisão do STF que autorizou a prisão de Vorcaro menciona suspeitas de organização criminosa, crimes contra o sistema financeiro, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça. A operação também teve como alvos Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, o próprio Mourão e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva.

Segundo a Polícia Federal, o grupo também é suspeito de acessar indevidamente sistemas sigilosos da própria PF, do Ministério Público Federal e de organismos internacionais, como FBI e Interpol, para obter dados protegidos.

A PF informou que comunicou o ocorrido ao gabinete do ministro relator no Supremo Tribunal Federal e que entregará todos os registros em vídeo que mostram a dinâmica do episódio. Um procedimento interno será aberto para apurar as circunstâncias da tentativa de suicídio.