Sigilo, juramentos e mercantilização da fé: por que os presbiterianos rejeitam os Legendários

Atualizado em 1 de agosto de 2026 às 23:00
Grupo de homens do movimento Legendários
Grupo de homens do movimento Legendários. Foto: Reprodução

A Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) decidiu orientar seus membros a não participar nem apoiar o movimento Legendários por considerar que seus métodos entram em conflito com a tradição reformada e com a doutrina presbiteriana. A posição também alcança pastores, presbíteros e diáconos ligados à denominação.

A avaliação foi aprovada durante o 41º Supremo Concílio da IPB, realizado em Manaus, após o avanço do movimento entre comunidades presbiterianas. O documento sustenta que os encontros dos Legendários privilegiam experiências emocionais e práticas consideradas pragmáticas, em detrimento da formação religiosa baseada nas Escrituras.

Entre os pontos questionados estão os períodos de isolamento na natureza, as provas de resistência física e emocional e as dinâmicas realizadas durante os retiros. Para a comissão teológica da igreja, essas atividades podem assumir um papel maior do que o estudo bíblico e a participação na vida comunitária das congregações.

A Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB). Foto: Divulgação

A IPB também manifestou preocupação com o sigilo sobre partes dos encontros, a realização de juramentos e o uso de uniformes padronizados. Segundo a denominação, esses elementos podem criar vínculos paralelos aos da igreja local e favorecer divisões entre os fiéis.

Outro temor apontado é a mercantilização da fé. A igreja avalia que estratégias de divulgação, identidade visual e cobrança por experiências religiosas podem transformar práticas espirituais em produtos e substituir a atuação regular das comunidades presbiterianas.

Com base nesses argumentos, o Supremo Concílio recomendou que seus integrantes e líderes não apoiem nem participem das atividades dos Legendários. A medida tem caráter de orientação interna, e não de proibição legal ou disciplinar automática.

Em resposta, os Legendários afirmaram respeitar a decisão, mas sustentaram que ela não impede formalmente a participação de presbiterianos. O grupo disse ainda que cada congregação deve avaliar o tema de forma autônoma

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