Sínodo para a Amazônia: tornar realidade 14 anos depois os novos caminhos de Dorothy Stang

Dorothy Stang, a 74-year-old American nun, was shot to death early February 12, 2005 in Brazil’s Amazon rain forest where she worked to defend human rights and the environment despite frequent death threats, federal police said. Unknown assailants shot U.S. missionary, Dorothy Stang at point-blank range at an isolated agricultural settlement in dense jungle 31 miles from the town of Anapu in the state of Para, police and fellow religious workers said. A February 12, 2004 file photo shows Missionary sister Dorothy Stang in Belem, northern Brazil. (BRAZIL OUT) REUTERS/Imapress/AE/Carlos Silva

Publicado originalmente no Unisinos, traduzido do Religión Digital

São muitos os personagens que ao longo da história sofreram isso. O próprio Jesus de Nazaré quis estabelecer um novo caminho para se relacionar com Deus e o poder político e religioso se aliou para que ele tivesse uma morte própria de um criminoso.

Com a irmã Dorothy aconteceu algo parecido, pois nos quase quarenta anos em que ela desenvolveu sua missão no Brasil foi convivendo com as pessoas, sobretudo com os mais pobres, e descobriu que o futuro da Amazônia e de seus povos passava por um novo caminho, que naquele tempo parecia ficção científica, o desenvolvimento sustentável, que começou como algo local, mas que foi conquistando um reconhecimento nacional e internacional.

Podemos dizer que com o Papa Francisco a situação é semelhante, pois em seus quase seis anos de pontificado não se cansou de tomar iniciativas surpreendentes. Agora quer buscar novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral, e com isso está incomodando, como ele mesmo dizia aos jovens argentinos na Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, em 2013.

Buscar novos caminhos para a Igreja faz com que quem vive só preocupado com o que acontece dentro da sacristia seja contrário a uma Igreja em saída, de portas abertas, hospital de campanha, uma Igreja ministerial, sinodal, que não só ensina, mas quer escutar e aprender com todos.

Os novos caminhos para a ecologia integral alarmam as grandes corporações empresariais e os governos que as apoiam. Todos fazem parte de um mesmo bando, o daqueles que sempre viram a Casa Comum a partir da ânsia predatória de quem põe o lucro pessoal acima do bem coletivo.

Uns e outros reagem, como se pôde ver nos últimos dias, não só contra o Papa Francisco, mas também contra quem o apoia e se sente coparticipante na abertura desses novos caminhos.

Não tenho a menor dúvida de que se estivesse viva, Dorothy Stang faria parte entre tantos homens e mulheres que nos últimos meses se empenharam em examinar todos os cantos da Amazônia para escutar, para aprender um pouco mais com a vida dos povos amazônicos, sobretudo com os povos indígenas. Aqueles que a perseguiram e assassinaram são os mesmos que hoje continuam perseguindo a quem quer continuar seu legado.

Como cristãos não podemos esquecer que nossa fé se fundamenta em alguém que sentia a necessidade de tornar realidade o Reino de Deus. Para isso é necessário enfrentar os poderes deste mundo, aqueles que participam da economia que mata, que considera descartável uma boa parte da humanidade.

Isso é o que matou a irmã Dorothy, isso é o que a cada dia aumenta o número de inimigos do Papa Francisco, que de dentro o chamam de herege e de fora o tacham de comunista.

Dorothy está viva na memória de quem continua lutando em defesa da Amazônia. Quem a matou nunca pensou que se converteria em um símbolo de novos caminhos, um legado que está sendo posto em pauta através do processo sinodal.

O Sínodo desperta cada vez mais interesse, tanto nos que o veem como um sinal de esperança, como naqueles que o sentem como uma ameaça para seus planos perversos.

Em um mundo que vive uma crise que põe em jogo o futuro do próprio Planeta, sempre é bom contar com quem se defende com a mesma arma que Dorothy Stang portava no momento em que foi covardemente assassinada: a Palavra de Deus.

Ela sempre é luz no caminho e vai nos encorajando diante dos ataques de quem se considera dono e pretende controlar além de onde deveria.

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