O sistema com falhas de segurança que Flávio Bolsonaro quer levar para o Brasil

Atualizado em 20 de outubro de 2026 às 6:27
Flávio Bolsonaro e Ricardo Nunes, prefeito de SP. Foto: Vittor Sales

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, quer levar para todo o país um modelo inspirado no Smart Sampa, programa de vigilância da gestão de Ricardo Nunes (MDB) em São Paulo, que deixou expostos na internet dados capazes de abrir acesso indevido a mais de 58 mil câmeras.

A falha atingiu uma das principais vitrines da administração do prefeito e colocou em risco imagens e informações de milhões de pessoas.

Segundo o Uol, há repositório público com pelo menos 181 logins e senhas de usuários autorizados, dados de mais de 6 mil agentes de segurança e instruções que permitiam reproduzir uma interface do sistema em computadores ou celulares. Com as credenciais, a coluna de Artur Rodrigues acessou imagens de câmeras instaladas em ruas, creches, escolas, hospitais e outros equipamentos públicos.

Em contas verificadas, a matrícula do agente funcionava como senha e não havia autenticação em duas etapas para a entrada na plataforma da Sentinelx, empresa usada pelo Smart Sampa. Após os questionamentos, o sistema passou a exigir verificação em duas etapas, e a prefeitura retirou o repositório da internet.

O acesso exposto permitia consultar nomes, CPFs, placas de veículos e boletins de ocorrência. Um especialista em tecnologia também identificou interfaces que, sem checagem adequada da identidade de quem enviava os dados, poderiam permitir a inserção de registros no sistema de reconhecimento de rostos e placas.

Câmeras do projeto Smart Sampa. Foto: reprodução

Flávio cita o Smart Sampa como modelo para o Smart Brasil

Flávio Bolsonaro apresentou o Smart Brasil como uma de suas propostas centrais para a segurança pública. No debate da Band no domingo, ele disse: “Eu vou usar tecnologia, eu vou usar inteligência artificial, eu vou criar o Smart Brasil”, antes de citar o programa paulistano como referência.

O candidato propôs instalar mais de 1 milhão de câmeras em parceria com estados e municípios e integrar equipamentos e bancos de dados. Como exemplo, afirmou que o sistema poderia rastrear em Brasília um agressor de mulheres que tivesse cometido um crime no Rio de Janeiro.

Em setembro, Flávio e Ricardo Nunes gravaram um vídeo sobre o projeto nacional. A proposta já teve o nome de Muralha Brasileira, em referência ao Muralha Paulista, programa do governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), e também apareceu em peças do horário eleitoral.

A Prefeitura de São Paulo atribuiu a exposição a um “vazamento ilegal de dados por parte de um servidor”, informou que o agente foi identificado e afastado e disse que a Corregedoria da Guarda Civil Metropolitana investiga sua conduta. A administração Nunes negou fragilidade nos mecanismos de segurança, embora tenha anunciado senhas exclusivas e autenticação em dois fatores após o caso.

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