Só o medo explica o ataque de Fernando Holiday a Marielle Franco. Por Sacramento

Fernando Holiday. Foto: Reprodução/YouTube

Um ano depois do atentado que matou Marielle Franco e Anderson Gomes, dizer que a vereadora vive é mais do que uma figura de linguagem. É uma certeza. Marielle vive e incomoda a ultradireita que tem dado as cartas no país.

A prova disso foi um post de Fernando Holiday – sempre ele! – no Twitter. Em vez de ficar quieto a respeito dos protestos por um ano da morte de Marielle, o vereador de São Paulo partiu para o ataque.

“O que aconteceu com ela foi terrível, mas sua atuação é uma lenda criada pela mídia. Foi uma vereadora extremista que defendia ideais perturbadores”, escreveu, com sua fúria habitual acrescida da covardia de atacar quem nunca poderá se defender.

O post de Holiday é mais uma das rajadas que se seguiram àquelas disparadas pelos sicários do Cobalt prata, em uma tentativa de acabar com a reputação da vereadora cujos “ideais perturbadores” eram lutar pelas mulheres, pelos negros e pela população LGBT.

Embora assassinada, Marielle não foi neutralizada. As investigações da sua execução revelaram laços inconvenientes entre a família Bolsonaro e os suspeitos do atentado, tornando Marielle a maior ameaça ao governo que Holiday apoia.

O primeiro deles foi a revelação de que a mãe e a esposa do capitão Adriano Magalhães da Nóbrega, uma das lideranças da milícia “Escritório do Crime”, trabalharam no gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

O segundo veio à tona dois dias antes do assassinato de Marielle completar um ano, com a prisão dos suspeitos da execução. Um deles, o sargento reformado da PM Ronnie Lessa é vizinho de Jair Bolsonaro e por um tempo foi sogro do filho mais novo do presidente, Jair Renan Bolsonaro.

Não bastasse esta coincidência, os destinos de Jair Bolsonaro e de Lessa já se cruzaram no passado. Lessa, segundo reportagem de O Globo, atuou por muito tempo no 9ª Batalhão.

“Extremamente operacional, Ronnie Lessa encontrou no 9º BPM (Rocha Miranda) a unidade perfeita para o seu perfil. Afinal, o batalhão, nos idos de 1992, tinha fama de ser violento, aparecendo com frequência nas manchetes de jornal. (…) Foi da unidade de Rocha Miranda que saíram os PM condenados pela chacina de Vigário Geral, em 1993”, diz um trecho da reportagem.

O batalhão é citado em outra matéria, desta vez da revista Época, sobre o assalto sofrido por Bolsonaro em 1995. “Dois dias depois, juntamente com o 9º Batalhão da Polícia Militar, nós recuperamos a arma e a motocicleta”, informa o texto da matéria ao citar uma entrevista de Bolsonaro ao programa Roda Viva.

Foi por capricho do acaso que a unidade de Lessa foi a mesma que ajudou a recuperar a motocicleta de Bolsonaro? Há possibilidades.

Só não há acaso nas palavras de Holiday. Elas são parte da artilharia discursiva destinada a apagar o legado deixado pela vereadora. Embora pesados, os latidos desta direita hidrofóbica não conseguiram fazer com que Marielle deixasse de incomodar.

Se para uns ela virou semente, para outros é um fantasma com muito a assombrar.

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