
Pam Bondi, ex-procuradora-geral dos Estados Unidos, se recusou nesta sexta-feira (29) a responder perguntas sobre o envolvimento do presidente Donald Trump na divulgação dos arquivos relacionados a Jeffrey Epstein, financista condenado por crimes sexuais. Bondi compareceu à Câmara dos Representantes para prestar esclarecimentos sobre a atuação do Departamento de Justiça no caso. Com informações do Estadão.
Durante cerca de quatro horas de depoimento a portas fechadas, Bondi defendeu a atuação do governo e afirmou que Todd Blanche, vice-procurador-geral e ex-advogado pessoal de Trump, supervisionou o processo de divulgação dos documentos. “Em resumo: justiça e transparência neste caso foram garantidas sob a direção do presidente Trump e de sua administração”, disse ela.
A entrevista forneceu aos legisladores a oportunidade de questionar uma autoridade que participou diretamente da gestão do caso Epstein. Inicialmente, esperava-se que os arquivos fossem divulgados integralmente, mas a ex-procuradora optou por se recusar a responder perguntas sobre Trump, após consulta com advogado do Departamento de Justiça.

Diversas sobreviventes dos abusos de Epstein tentaram se aproximar do edifício do Capitólio durante o depoimento, mas foram contidas por policiais. Elas pediram aos legisladores que responsabilizassem Bondi pela divulgação parcial dos documentos e enfatizaram a importância de proteger as informações das vítimas.
Apesar de ter deixado o cargo no mês passado, Bondi manteve proximidade com Trump, que a nomeou para um painel da Casa Branca sobre inteligência artificial. Durante o depoimento, ela esteve acompanhada de Harmeet Dhillon, chefe da Divisão de Direitos Civis do Departamento de Justiça, que atuou como conselheira, orientando-a a responder apenas dentro dos limites definidos pela comissão.
Democratas criticaram o acordo que permitiu o depoimento transcrito em vez de um depoimento formal sob juramento, alegando que isso possibilitou que Bondi evitasse perguntas sobre Trump. O presidente da comissão, deputado James Comer, afirmou que a medida foi adotada como incentivo à cooperação, mas deixou aberta a possibilidade de novas ações, incluindo intimar Todd Blanche.