Sócio de Vorcaro disse que ele tinha “crédito” com o Estadão: “Estamos em casa”

Atualizado em 22 de outubro de 2026 às 11:25
Daniel Vorcaro. Foto: Divulgação

Conversas entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o empresário Flávio Carneiro citam a relação do grupo com o Estadão durante uma operação financeira que levantou R$ 142,5 milhões para o jornal. A informação é do Metrópoles.

Em um dos diálogos, Carneiro tranquilizou o banqueiro: “No ‘Estadão estamos em casa, temos crédito lá’”. Em 15 de maio de 2024, Vorcaro escreveu que precisava “aumentar patrocinio folha e estadao [sic]”. A mensagem surgiu após uma repórter procurar um executivo do Master, segundo os registros das conversas.

Seis dias depois, Vorcaro enviou a Carneiro uma reportagem sobre a emissão de debêntures do Estadão e perguntou: “Como ficamos fora disso”. O empresário respondeu que Rubens Ometto, fundador e presidente do conselho de administração da Cosan, estaria por trás da operação.

Carneiro disse a Vorcaro que Ometto teria conduzido as negociações havia seis meses e afirmou ter acompanhado parte das tratativas na casa de Geraldo Samor, fundador do Brazil Journal. Ao lamentar a perda de uma “oportunidade ímpar” para “blindar lá”, Vorcaro ouviu do sócio: “Você tá mais em casa do que você imagina ali”.

Mensagens entre Daniel Vorcaro e Flávio Carneiro sobre o Estadão. Foto: Reprodução

Emissão de debêntures reuniu Cosan, Votorantim e outras empresas

Entre março e maio de 2024, o Estadão emitiu R$ 142,5 milhões em debêntures para quitar dívidas. A operação deu fôlego ao grupo, que acumulava passivo de R$ 159 milhões e enfrentava rumores sobre um possível pedido de recuperação judicial.

A Cosan, a Hapvida, a Votorantim e a Santalice Administração, ligada à Cutrale, aportaram R$ 15 milhões cada uma. Ultra, Unipar, Pátria Investimentos, JHSF e Galápagos Capital participaram com R$ 7,5 milhões cada.

Os credores passaram a ter assentos no conselho de administração do jornal. Marcos Bologna, sócio e CEO da Galápagos, gestora do fundo debenturista que aplicou R$ 7,5 milhões, entrou como representante dos investidores; Carlos Fonseca, ex-sócio de André Esteves no BTG, também integra a empresa.

O Estadão não respondeu aos questionamentos enviados sobre as conversas e a operação financeira até a publicação das informações. O espaço segue aberto para manifestações do jornal e dos envolvidos.

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