
A rede de cosméticos Wepink tem origem ligada à Pink Lash, que teve como sócia Karen de Moura Tanaka Mori, investigada por envolvimento com lavagem de dinheiro e apontada em apurações policiais como ligada ao PCC (Primeiro Comando da Capital), segundo a Agência Pública. A empresária participou de negócios com Samara Cahanovich Martins e Thiago Stabile entre 2017 e 2021, período de expansão da franquia.
Karen foi detida em 2024 durante investigação que apura crimes de organização criminosa e lavagem de capitais. Na operação, foram apreendidos valores em espécie e bens de alto valor. Após a prisão, ela passou a cumprir medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica e restrições judiciais.
Segundo as investigações, após a morte de Wagner Ferreira da Silva, conhecido como “Cabelo Duro” e apontado como integrante do PCC, Karen assumiu a gestão de recursos e bens associados ao grupo por meio de empresas. Entre elas está a KK Participações, citada como instrumento para movimentações financeiras consideradas incompatíveis com o patrimônio declarado.

A defesa afirma que os valores encontrados são resultado da venda de participação na Pink Lash e nega qualquer vínculo com organização criminosa. O advogado sustenta ainda que não houve denúncia formal do Ministério Público até o momento e contesta as medidas impostas pela Justiça.
Registros comerciais indicam que Karen, Samara e Thiago participaram de diversas empresas no setor de estética, muitas operando nos mesmos endereços. Nesse período, a Pink Lash ampliou sua atuação e serviu de base para a criação de novos negócios ligados ao grupo.
A Wepink foi fundada em 2021 e tem entre os sócios a influenciadora Virginia Fonseca. A empresa declarou faturamento de cerca de R$ 1,3 bilhão em 2025.

Além da estrutura empresarial, familiares de Samara também passaram a atuar em negócios relacionados à marca. O irmão dela, Igor Cahanovich Soares, foi condenado por porte ilegal de arma e abriu unidades da Wepink em diferentes estados, ampliando a rede de quiosques.
A empresa também firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público de Goiás (MP-GO) após reclamações de consumidores sobre atrasos e falhas na entrega. O acordo prevê indenizações e mudanças nos processos de venda e atendimento.
Na última sexta (17), um depósito ligado à marca Wepink foi interditado pela Vigilância Sanitária em Anápolis, na região central de Goiás. O local não possuía alvará de funcionamento, alvará sanitário, certificado do Corpo de Bombeiros nem autorização de funcionamento de empresa (AFE), exigida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para esse tipo de atividade.