Socorro! Beatles comunistas e fascismo de esquerda: doidos assumem a cultura. Por Ricardo Kotscho

Publicado originalmente no Balaio do Kotscho

Por Ricardo Kotscho

“Acalmem-se! Sim,ele é louco, mas não será tão ruim assim. Afinal, somos uma democracia e temos uma constituição. A Constituição o deterá” (chamada de capa do jornal alemão CV-Zeitung de 2 de fevereiro de 1933, voltado à comunidade judaica, logo após a posse de Hitler).

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Sob o comando do dramaturgo e diretor Roberto Alvim (quem? alguém já ouviu falar?), novo secretário da Cultura, agora homiziado no Ministério do Turismo, continua a “grande reforma” anunciada para trocar os atuais dirigentes pela fina flor do manicômio particular de Olavo de Carvalho.

De Richmond, na Virgínia, o autointitulado filósofo e youtuber, que nas horas vagas caça ursos e controla as áreas de Educação e Cultura do governo federal, orienta Alvim em sua guerra contra o “marxismo cultural”.

Para a presidência da Funarte (Fundação Nacional das Artes) o secretário da Cultura recrutou um certo maestro Dante Mantovani, também youtuber, que em suas redes sociais já afirmou que o fascismo é de esquerda, “fake news é um conceito globalista para impor a vontade da imprensa” e a Unesco é “uma máquina de propaganda a favor da pedofilia”.

Mantovani é mais um membro da Cúpula Conservadora das Américas que chega ao governo com todas as credenciais do bolsonarismo mais tosco, capaz de escrever coisas assim:

“Na esfera da música popular, vieram os Beatles, para combater o capitalismo e implantar a maravilhosa sociedade comunista”.

Nem Abraham Weintraub e sua parceira de estultices Damares Alves tinham chegado a tanto.

A Folha escalou três repórteres para conhecer o pensamento dos novos dirigentes e descobriu coisas assim, da lavra do maestro Mantovani, para quem “o rock de Elvis Presley e dos Beatles fariam parte de um plano para vencer os Estados Unidos e o capitalismo burguês a partir da destruição da moral da juventude e das famílias”. Leiam:

“O rock ativa a droga, que ativa o sexo, que ativa a indústria do aborto. E a indústria do aborto alimenta uma coisa mais pesada, que é o satanismo”.

Outro aluno de Olavo de Carvalho que sai do anonimato, é um tal de Rafael Alves da Silva, que usa o nome artístico de Rafael Nogueira, nomeado na segunda-feira novo presidente da Biblioteca Nacional.

Nas suas redes sociais, Nogueira quase nada fala de livros e de literatura, mas pontifica sobre fraudes nas urnas eletrônicas e a obra de Olavo de Carvalho entre outros delírios.

Em seu perfil no Twitter, onde tem 40 mil seguidores, Nogueira publicou:

“Cadê nossa literatura? Quem é o herdeiro de Machado de Assis? Cadê a nossa filosofia? Espero que o legado de Olavo de Carvalho resolva”.

Vamos aguardar. Na reportagem da Folha, ficamos sabendo também os motivos da falência da Educação brasileira, segundo o presidente da Biblioteca Nacional:

“Livros didáticos estão cheios de músicas de Caetano Veloso, Gabriel O Pensador, Legião Urbana. Depois não sabem por que está todo mundo analfabeto”.

Esse certamente não deve ser o caso dele, que agora vai cuidar de uma das principais instituições culturais do país, com um acervo de livros que começou a ser catalogado nos tempos do Império.

No seu currículo acadêmico, ficamos sabendo que o discípulo de mestre Olavo de Carvalho já deu aulas particulares de humanidades e de redação para o Enem.

Entre uma e outra nomeação, Roberto Alvim, que já teve a coragem de chamar nossa  grande atriz Fernanda Montenegro de “sórdida”, agora vai ter que se explicar ao Ministério Público Federal.

O MPF abriu uma investigação criminal para apurar se ele violou a Lei de Licitações ao convidar a própria esposa, a famosa atriz Juliana Galdino, para assumir a direção artística do Teatro Plínio Marcos, em Brasília.

Para convencer a mulher a aceitar esta missão, Alvim entregou-lhe um orçamento de R$ 3,5 milhões em verbas federais.

A maracutaia foi denunciada quando ele ainda era diretor de Artes Cênicas da Funarte. A pena prevista para quem dispensa concorrência fora das normas legais é de três a cinco anos de prisão.

Quando esse governo acabar, vão faltar vagas no manicômio judicial.

“Gaiola das Loucas”, como era conhecida a antiga Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, pode ser o novo nome do extinto Ministério da Cultura, agora rebaixado para ser uma repartição do Ministério do Turismo, aquele do laranjal de Minas.

Vida que segue.

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