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“Somos as tias do WhatsApp”: Janaína Paschoal mobiliza seu exército para pressionar deputados e ter poder na Assembleia. Por José Cássio

Janaína Paschoal e os bolsominions estão causando rebuliço na Assembleia Legislativa de São Paulo.

A menos de 15 dias da posse dos novos deputados, a campeã de votos pôs a cavalaria na rua, ou melhor, na selva digital, para conquistar a presidência da Casa.

Líder da maior bancada (15 deputados) e surfando na onda bolsonarista que varreu o país em 2018, quer repetir no âmbito estadual o feito de Davi Alcolumbre, que de forma inesperada atropelou as velhas raposas e chegou à presidência do Senado.

Como Davi, Janaína e seu exército estão organizando ações de fora pra dentro.

A estratégia para garantir apoios é apelar para o constrangimento.

Deputados do interior que mal sabem manusear um celular se surpreendem a cada dia com uma enxurrada de mensagens via whatsapp.

O conteúdo, digamos, é um tanto quanto inocente – esperado para alguém como Janaína que conseguiu derrubar uma presidente da República com uma peça de ficção focada numa farsa como foi a tese de ‘crime de responsabilidade’ utilizada contra Dilma (pedalada fiscal).

“Deputados, somos as tias do WhatsApp” é a primeira frase de uma mensagem que os 94 parlamentares receberam no início dessa semana.

O que segue é de amargar, veja só:

“Eleição passada ficamos 7 dias 18 horas por dia angariando votos para nossos candidatos…acho que deu certo. Temos uma malha de tias que os senhores não imaginam. Podemos ser negativas também com aqueles que não respeitam nossa vontade! Exigimos que votem com Janaína Pascoal para Presidente da Alesp. Já sabem o que as tias do WhatsApp são capazes, não é?”.

Pelo menos até aqui, deixando de lado o ridículo da iniciativa, o que a deputada e seus janaminions estão conseguindo é nada além de irritar os dinossauros.

O decano deles, Campos Machado, líder do PTB, com sete mandatos nas costas, contra-atacou.

Ingressou com um projeto de lei restringindo lives e postagens no plenário, nas audiências e comissões. Mandou proibir o uso pelos parlamentares de smartphones, tablets e similares.

A alegação é que as lives se tratam de “atividade paralela”, exclusivas para seguidores de redes sociais, e que elas “impedem o uso de um aparte” e por isso podem levar à “incitação de movimentos de protestos” e até “à violência”.

Machado nega que a propositura tenha viés de censura, tampouco que seja uma resposta ao perfil hiperativo da novata.

Sem considerar o delírio digital de ambos, o fato concreto é que está, por enquanto, certa a recondução de Cauê Macris, do PSDB, na presidência por mais um mandato, com Ênio Tatto, do PT, na primeira e Edmir Chedid, do DEM, na segunda secretaria – os três cargos determinam o funcionamento da Assembleia.
Os aliados dizem que têm 60 votos certos de um total de 94 — para se eleger, é preciso 48 votos.
Nos bastidores, fala-se que o governador João Doria ainda não desistiu da ideia de tirar o PT da mesa executiva.
Tanto que a visita que recebeu de Joice Hasselmann, líder do governo Bolsonaro no Congresso, no início da semana, foi uma cartada para tentar convencer Janaína a aceitar ocupar a primeira secretaria no lugar de Ênio Tatto.
Oficialmente, foi dito que o grupo ofereceu a presidência da Comissão de Constituição e Justiça a Janaína, quando na verdade o que houve foi uma tentativa de trazê-la para a mesa com objetivo de escantear os petistas.
Pelo regimento, os deputados escolhem o presidente e depois nominalmente vão elegendo os representantes para os demais cargos.
João Doria estaria insistindo na estratégia de garantir a presidência com Cauê Macris e, na sequência, fazer os deputados romperem com o PT e indicarem alguém do PSL para a primeira secretaria.
Já se viu muita coisa estranha na Assembleia ao longo do tempo, mas nada parecido com uma manobra assim.
A líder petista, deputada Beth Sahão, que conduz as negociações com Cauê, prefere não acreditar nos rumores.
“Algo impensável”, diz. “Temos de considerar que o Parlamento é um poder independente e que os membros da Casa têm uma reputação a zelar”.
Em se tratando de João Doria, porém, nada surpreende.
Basta ver o que fez com Geraldo Alckmin para imaginar do que seria capaz em se tratando de inimigos.
No fim das contas, Janaína e seu exército de janaminions são os únicos bobalhões da história.
A sexta 15 promete.

Jose Cassio

JC é jornalista com formação política pela Escola de Governo de São Paulo

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