“Somos o setor que melhor pode enfrentar a extrema direita”: as mulheres por trás do ato contra Bolsonaro no Rio

POR MAURÍCIO SILVA

A tarde de sábado, 29 de setembro, será marcada por uma expressiva manifestação das mulheres brasileiras contra as ideias e propostas do candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) em diversas cidades do Brasil e do mundo. No Rio de Janeiro, o ato está marcado para ter início às 15hs na Cinelândia e, após cortejo, ser encerrado na Praça XV, local histórico também na região central.

O grupo carioca de mulheres do Ato Mulheres contra Bolsonaro é composto por dezenas de participantes de diferentes profissões, áreas de atuação, condições sociais e regiões do Estado. “Estas eleições mostram o quanto nós, mulheres, temos poder e quanto estamos dispostas a nos defendermos e nos apoiarmos. Lutar contra o que este candidato prega é lutar a favor de nós. Acreditamos na nossa capacidade de união”, conta Vanessa Silva, advogada.

O grupo se formou com a premissa de organizar o evento de maneira horizontal e participativa e, ao longo do trabalho, vem recebendo o apoio de outros grupos da sociedade. Ativistas do movimento negro, de grupos LGBTI, coletivos de classe e blocos de carnaval confirmaram presença e participação no evento.

Liliana Maiques, advogada, conta que, de 2015 pra cá, as mulheres têm conseguido mobilizar e colocar pessoas nas ruas do Rio. “Barramos o Eduardo Cunha e o PL5069, que era um ataque aos corpos das mulheres e aos nossos  direitos das mulheres. Em 2016, barramos o Pedro Paulo, espancador de mulheres, garantindo que ele não fosse pro segundo turno na disputa pela Prefeitura. Somos o setor que teria mais condições de mobilizar pessoas para enfrentar uma ameaça da extrema-direita no Brasil”, afirma.

Maria Rita

Devido às dimensões que o ato pode alcançar, o grupo reuniu-se com diversas órgãos públicos como o Comando da PMERJ, a Guarda Municipal, a Comlurb, a CET-Rio e concessionárias de transporte público.

Foi solicitado que  as autoridades se responsabilizem pela segurança dos manifestantes, que haja mulheres policiais trabalhando e que o efetivo seja composto por policiais especializados em grandes eventos e não pelo Batalhão de Choque.

Thyara Chaiene, autônoma, enfatiza a importância para a democracia de se garantir o direito à livre manifestação: “estamos lutando por um mundo mais justo para todos nós. Queremos ser parte da mudança e não vamos nos calar devido à opressão”.

Programação

Durante o ato, será lido o Manifesto do Ato das Mulheres contra Bolsonaro, o mesmo que será lido no ato de São Paulo e que expõe, de forma clara, porque as mulheres se mobilizaram. O manifesto sintetiza em cinco tópicos o porquê das mulheres serem contra o candidato do PSL, a saber: (1) as declarações públicas que refletem desprezo pelas causas das mulheres e das minorias; (2) as medidas como o voto a favor do congelamento de gastos em saúde, educação e assistência social; (3) o voto a favor da Reformas Trabalhista e da Lei das Terceirizações, (4) a defesa de um modelo de Segurança Público falido que combate violência com mais violência e militarização e (5) o fato de Bolsonaro ter como candidato a vice-presidente um general que defende a tomada de poder pelas Forças Armadas e a elaboração de uma nova Constituição sem participação popular.

Clique para ler a íntegra do manifesto no link.

A historiadora Palmira da Costa relata que as mulheres estão se levantando contra Bolsonaro pois, em resumo, ele representa toda a opressão que a mulher sofre no país. “A insurgência é contra Bolsonaro e a violência que as mulheres sofremos em todos os níveis no Brasil, principalmente as mulheres periféricas e negras”, explica.

Thyara Chaiene

Além da leitura do manifesto serão realizadas diversas expressões culturais como leitura de poesias, grafitagem, apresentação de capoeira e de um grupo de performance corporal. Estão programadas apresentações musicais de artistas como Beatriz Azevedo, Simone Mazzer e Tereza Cristina – e também do trio formado por Elisa Addor, Roberta Nistra e Clarice Magalhães.

Um mundo em mudança

Já Daniela Labra, crítica de arte, acrescenta que as mulheres expõem as contradições do candidato. Em exemplo é que ele propõe a redução da maioridade penal mas não discute a situação calamitosa do sistema penitenciário brasileiro. 

“Isso é absolutamente surreal. Como mulher e mãe, eu me posiciono contra essa pessoa e tudo que ela representa”, afirma.

Para Maria Rita Taunay, desenhista industrial, o Brasil ainda é um país misógino e estruturalmente machista. No entanto, as manifestações deste sábado podem abrir novas perspectivas em diversas cidades do país. “Lutamos por  mudança e estamos tecendo juntas, pouco a pouco, uma linda e potente rede”, conclui.

Liliana Maiques

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