
A Polícia Federal (PF) investiga o prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga, por suspeita de que a viagem de sua família à Disney, no fim de 2024, tenha sido paga com dinheiro de propina. O relatório que embasou o pedido de afastamento do prefeito, obtido pela PF, aponta indícios de que valores em espécie foram usados para custear a hospedagem durante a viagem realizada após sua reeleição.
De acordo com o documento, os agentes encontraram no celular de Sirlange Maganhato, esposa de Manga, duas fotos de comprovantes de depósitos feitos em favor da empresa “Casas Temporadas Disney”. As imagens mostram nove depósitos realizados no mesmo dia, 28 de outubro de 2024, em um intervalo de poucos minutos, cerca de duas semanas antes da viagem.
“Ora, não haveria a menor razão para se efetuar nove depósitos em espécie – fracionados, portanto –, exatamente no mesmo dia, com poucos minutos de intervalo, senão procurar ocultar tais transações dos órgãos oficiais de controle financeiro”, afirma o relatório assinado pela Delegacia da Polícia Federal de Sorocaba.
Os comprovantes indicam quatro depósitos de R$ 1.500 e R$ 1.450 feitos no Banco do Brasil entre 14h26 e 14h31. Logo depois, outros cinco depósitos foram realizados no Santander, entre 14h46 e 14h54, variando de R$ 150 a R$ 1.500.
O fracionamento dos valores, segundo os investigadores, sugere tentativa de burlar mecanismos de rastreamento e controle de movimentações financeiras.

A PF sustenta que Rodrigo Manga “é o líder do grupo criminoso investigado e principal beneficiário das práticas delitivas que ora estão em andamento”. Por essa razão, o relatório recomenda a suspensão imediata do prefeito do cargo, medida considerada essencial para “interromper os crimes que vinham sendo praticados no âmbito da Administração Pública Municipal de Sorocaba”.
As apurações fazem parte de uma investigação mais ampla sobre supostos desvios e recebimento de propina ligados à prefeitura. As evidências indicam que recursos de origem ilícita podem ter sido utilizados em despesas pessoais, incluindo viagens internacionais da família.
O caso se soma a outros casos que colocam sob escrutínio a gestão de Manga, reeleito em 2024. A PF trabalha para rastrear a origem dos valores e identificar os responsáveis pelos depósitos. Fontes próximas à investigação afirmam que novas quebras de sigilo bancário e fiscal estão sendo analisadas para confirmar o vínculo entre os depósitos e pagamentos feitos à empresa que hospedou a família do prefeito.