
Pedro Fernando Nery, colunista de economia do Estadão, perpetrou a crítica mais patética a “O Agente Secreto”. Professor de economia do IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa) e autor de um livro que ninguém leu, Nery deu prejuízo à sua psicoterapeuta.
Segundo ele, Kleber Mendonça Filho e Wagner Moura “são chatos”, mas o filme “merece ser indicado ao Oscar” porque é “fantástico”.
“Quando era adolescente, queria ser cineasta. Lia um blog de cinema em que um crítico chamado Kleber Mendonça Filho fazia análises minuciosas. Na minha memória, o site tinha um fundo preto, cada filme recebia entre 0 e 5 estrelas e alguns filmes poderiam receber uma nota quebrada, como três estrelas e meia”, confessa.
E segue a patacoada confessional:
“Não virei cineasta, virei um economista ressentido. Economistas podem fazer concurso público. Escrevi aqui sobre Aquarius, um dos melhores filmes do mundo em 2016. Na minha provocação, a heroína Clara era uma vilã, a dona de patrimônio imobiliário que luta pelo seu direito de propriedade e prejudica a cidade.
Samuel Pessôa já tinha escrito sobre o filme em detalhes, sobre os ricos que se acham classe média no Brasil. ‘O Samuel fez a declaração de imposto de renda da Clara’, brincou um amigo meu. Kleber compartilhou minha coluna no Twitter e disse que Aquarius estava há anos alugando a cabeça dos liberais. (…)

Como Clara, os Rubens Paiva moravam na beira da praia. Pensei quanto valeria um terreno na praia do Leblon, se eles tinham mesmo só uma empregada, se uma doméstica no Rio realmente não seria preta, se no início eram mais ricos do que pareceu. Ainda Estou Aqui é maravilhoso e O Agente Secreto é ainda melhor.
Em O Agente Secreto, quem faz o papel de Samuel Pessôa é Pablo Ortellado, que explicou sobre a Sudene diante do enredo do filme. Quem faz o papel principal é Wagner Moura, que discursou domingo sobre a importância de se passar valores. Usava um Omega De Ville Trésor, segundo a GQ.
Às vezes tenho saudade de quando eu não era tão mala. De ler o blog do fundo preto. Às vezes acho que a gente devia fazer outra reforma da Previdência, só pra ter mais filmes do Kleber Mendonça Filho e do Wagner Moura”.