SP: Justiça condena 6 policiais por extorsão contra traficantes do PCC

Atualizado em 22 de fevereiro de 2026 às 9:14
Policiais civis e militares faziam parte da quadrilha, segundo denúncia do MP-SP

A Justiça de São Paulo condenou quatro policiais civis e dois policiais militares por organização criminosa armada com participação de agentes públicos. As penas variam de oito anos e nove meses a nove anos de prisão, todas em regime fechado. A decisão foi proferida pelo juiz Rodrigo Lírio Araújo, da 2ª Vara Criminal de Suzano.

Segundo denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), o grupo atuava entre 2021 e 2022 nas cidades de Mogi das Cruzes, Suzano e na zona leste da capital. Os réus são acusados de extorquir traficantes ligados ao PCC (Primeiro Comando da Capital), além de subtrair armas, drogas e dinheiro.

Entre os condenados está o delegado Eduardo Peretti Guimarães, de 56 anos, sentenciado a nove anos de prisão. De acordo com o MP-SP, ele teria extorquido um homem em três ocasiões, exigindo R$ 20 mil, R$ 5 mil e R$ 7,5 mil, além de manter um depósito com grande quantidade de cocaína em Suzano.

Também foram condenados os policiais civis Wilson Isidoro Júnior, Ronaldo Batalha de Oliveira e Diego Bandeira Lima, cada um com pena de oito anos e nove meses. As acusações incluem desvio de drogas, exigência de dinheiro de traficantes e tentativa de comercialização de entorpecentes.

Os policiais Valdenir Paulo de Almeida, apelidado de “Xixo”, e Valmir Pinheiro, conhecido como “Bolsonaro”, estão presos — Foto: Reprodução

Os cabos da Polícia Militar Jorge Luiz Cascarelli Júnior e Jocimar Canuto de Paula receberam a mesma pena. Segundo a denúncia, ambos participaram de episódios de subtração de dinheiro e tentativas de roubo de drogas em diferentes datas nas cidades investigadas.

Na sentença, o magistrado determinou a perda do cargo público dos PMs Jorge e Jocimar e dos policiais civis Ronaldo e Diego. Também foi decretada a interdição do exercício de função pública por oito anos após o cumprimento da pena para todos os condenados.

O delegado Eduardo Peretti e o agente Wilson não tiveram a perda do cargo decretada porque já estão aposentados. Ainda assim, ambos também ficaram proibidos de exercer função pública pelo mesmo período após o cumprimento das penas.

A reportagem informou que não conseguiu contato com os advogados dos policiais condenados até a publicação. O espaço permanece aberto para manifestações das defesas.