O poder de Elon Musk sobre comunicação em regiões de guerra

Atualizado em 19 de outubro de 2026 às 8:26
Elon Musk, o homem mais rico do mundo. Foto: reprodução

A Starlink, rede de internet por satélite da SpaceX, tornou Elon Musk um ator com influência direta sobre comunicações em regiões isoladas e zonas de guerra. O serviço atende localidades sem cabos ou fibra óptica e passou a ser usado por hospitais, equipes de emergência, organizações humanitárias e forças militares.

A constelação reúne quase 10 mil satélites pequenos em órbita baixa, a cerca de 550 quilômetros da superfície terrestre. Essa distância é muito menor que a dos satélites tradicionais de internet, que costumam operar a aproximadamente 36 mil quilômetros de altitude, e reduz o atraso na transmissão de dados.

Os satélites trocam pacotes de dados por feixes de laser e encaminham a conexão para a rede convencional. Para receber o serviço, o usuário precisa de um terminal com antena eletronicamente controlada, que acompanha os satélites e envia o sinal a um roteador local.

A baixa latência permite atividades que exigem resposta rápida, como chamadas de vídeo e transmissão de dados. A tecnologia também viabiliza o uso de drones e sistemas terrestres não tripulados, o que ampliou sua importância em cenários de conflito.

Uso da Starlink em conflitos expõe dependência da SpaceX

Na Ucrânia, a Starlink passou a integrar a estrutura de comunicação desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022. Militares utilizam a rede para coordenar unidades e operar drones, enquanto hospitais, serviços de emergência, fornecedores de energia e a ferrovia recorrem ao sistema para manter conexões.

Autoridades ucranianas também enfrentam o uso de terminais Starlink por forças russas, que podem obter equipamentos por contrabando por meio de países intermediários. O Ministério da Defesa ucraniano afirma trabalhar com a SpaceX para limitar esse acesso.

Logos da SpaceX e Starlink. Foto: reprodução

No Sudão, terminais do serviço chegaram ao país pelo mercado ilegal e passaram a ser usados pelas Forças de Apoio Rápido, grupo paramilitar em guerra contra o Exército estatal. As Forças Armadas Sudanesas tentam restringir a entrada e o funcionamento dos equipamentos.

Organizações humanitárias e um hospital de campanha utilizam a Starlink na Faixa de Gaza desde julho de 2024 para telemedicina e coordenação logística. Israel limita o acesso mais amplo da população civil por razões de segurança.

O poder de decisão concentrado na empresa de Musk alimenta críticas porque o funcionamento de estruturas civis e militares pode depender de uma companhia privada. Musk recusou ativar o serviço para uma operação ucraniana perto da Crimeia, episódio que expôs os limites dessa dependência.

A expansão da constelação também provoca questionamentos ambientais. Os satélites têm vida útil estimada em cerca de cinco anos, e um ou dois deles se desintegram diariamente na atmosfera; o óxido de alumínio liberado no processo pode afetar a camada de ozônio e contribuir para o aquecimento global.

Rivais tentam reduzir a predominância da Starlink. A Eutelsat mantém a rede OneWeb, com mais de 600 satélites, e participa do projeto europeu IRIS², previsto para operar a partir de 2029. Nos Estados Unidos, a Amazon desenvolve o Amazon Leo, planejado para ter mais de 3 mil satélites e iniciar operação comercial também no Brasil por meio de parceria com a Sky.

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