STF forma maioria para manter Vorcaro na cadeia

Atualizado em 13 de março de 2026 às 12:19
Daniel Vorcardo, dono do Banco Master. Foto: Reprodução

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para manter a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no escândalo do Banco Master. O julgamento ocorre no plenário virtual do colegiado e já conta com três votos favoráveis à manutenção da detenção.

Ainda falta a manifestação do ministro Gilmar Mendes, que tem prazo até o dia 20 de março para apresentar seu voto. Se manifestaram a favor da manutenção da prisão André Mendonça (relator do caso), Luiz Fux e Kássio Nunes Marques.

A decisão também mantém presos o empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, e o policial aposentado Marilson Roseno. Os três foram detidos na terceira fase da Operação Compliance Zero, realizada pela Polícia Federal no início do mês.

O ministro Dias Toffoli se declarou suspeito para participar do julgamento, o que reduziu o número de votantes para quatro. Havia expectativa entre aliados do banqueiro de que o resultado pudesse terminar empatado, o que poderia beneficiar a defesa, já que o regimento do STF prevê que a decisão deve favorecer o investigado nesses casos. Com a maioria formada, essa possibilidade foi afastada.

Daniel Vorcaro na prisão. Foto: Reprodução

Nos bastidores, pessoas próximas a Vorcaro ouvidas pelo UOL avaliavam que poderia haver divisão no colegiado, com votos divergentes sobre a necessidade de prisão preventiva. A aposta era de que parte dos ministros poderia defender a substituição da prisão por medidas menos rígidas, como prisão domiciliar, hipótese que não se confirmou até o momento.

A manutenção da prisão aumenta a possibilidade de negociação de delação premiada. A Procuradoria-Geral da República (PGR) iniciou conversas preliminares com a defesa do banqueiro, embora as tratativas ainda estejam em fase inicial.

A prisão foi decretada após a Polícia Federal identificar mensagens em um grupo de WhatsApp usado por Vorcaro e auxiliares para monitorar e intimidar adversários. Entre os alvos citados nas investigações está o jornalista Lauro Jardim. Também foi apontado que um dos integrantes do grupo, Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, teria acessado sistemas oficiais para obter informações sigilosas.

Mourão foi preso na operação, mas morreu dentro da carceragem da Polícia Federal em Belo Horizonte (MG).

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.