A mobilização do STF para manter Alcolumbre na presidência do Senado

Atualizado em 7 de novembro de 2026 às 8:24
Davi Alcolumbre, presidente do Senado. Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) intensificaram articulações políticas para favorecer a reeleição do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em fevereiro de 2027. Ao Uol, fontes do STF relataram que o movimento responde ao temor de que a nova composição da Casa avance com pedidos de impeachment contra integrantes da Corte.

O comando do Senado tem poder decisivo sobre essas denúncias porque cabe ao presidente dar o encaminhamento inicial aos pedidos contra ministros. Sem essa decisão, as representações não seguem para análise dos demais senadores; uma eventual condenação exige o voto de dois terços da Casa.

Um dos canais centrais da articulação é a relação entre Alcolumbre e o ministro Alexandre de Moraes. Moraes atuou para reduzir o desgaste entre o senador e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo, em abril.

Os contatos não incluem ameaças explícitas, mas envolveriam a preservação de interesses de políticos com pendências judiciais e de ministros que querem evitar processos no Senado. Em parte dos casos, advogados de parlamentares recebem os recados em vez dos próprios senadores.

Ministros do STF durante sessão. Foto: Antonio Augusto/STF

Casos ligados ao Banco Master ampliam pressão sobre ministros

As revelações sobre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master aproximaram ministros de diferentes correntes em torno da permanência de Alcolumbre. A análise do celular de Vorcaro apreendido pela Polícia Federal identificou 316 registros de interação com Moraes nos dois meses anteriores à prisão do banqueiro, em novembro de 2025.

Vorcaro contratou por quase R$ 130 milhões o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, para atender o banco. Moraes nega irregularidades. Dias Toffoli também passou a enfrentar questionamentos por vínculos empresariais entre fundos relacionados ao Master e empresas de familiares; ele deixou a relatoria do caso sob pressão.

Mensagens localizadas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro ainda mencionam um contrato de honorários de R$ 427 milhões associado à expressão “Turma do KN”, usada para pessoas apontadas como próximas do ministro Kassio Nunes Marques. O acordo previa pagamentos condicionados a resultados favoráveis em processos de interesse do banco sobre precatórios.

Alcolumbre também aparece em um desdobramento do caso Master. Em fevereiro de 2026, a Operação Zona Cinzenta investigou cerca de R$ 400 milhões aplicados pela Amapá Previdência em letras financeiras do banco; Jocildo Silva Lemos, então presidente da entidade e ex-tesoureiro de campanha do senador, foi alvo da ação. Alcolumbre defendeu que o caso seja “apurado, devidamente investigado, esclarecido e conduzido com transparência e respeito ao devido processo legal”.

Na disputa pelo Senado, o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), e a senadora Tereza Cristina (PP-MS) mantêm pré-candidaturas contra Alcolumbre. O PL terá bancada de 29 senadores, enquanto Tereza Cristina busca apoio entre parlamentares do centro e do agronegócio; os grupos avaliam convergir para uma candidatura única.

Lula também apoia a recondução de Alcolumbre, que ajudou o Planalto a aprovar pautas prioritárias, como a proposta de redução da jornada na escala 6×1 e a PEC da Segurança Pública. Pesquisa AtlasIntel/Estadão divulgada em setembro apontou apoio de 60,5% dos entrevistados ao impeachment imediato de Toffoli e de 49,8% ao afastamento de Moraes.

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