Substância que acionou alerta de bomba após debate é usada no refino de cocaína

Atualizado em 19 de outubro de 2026 às 8:16
Flávio Bolsonaro e membros do esquadrão antibomba de SP. Foto: reprodução

Um alerta de possível bomba em um veículo da comitiva do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) mobilizou o esquadrão antibombas da Polícia Militar de São Paulo após o debate presidencial realizado pela Band neste domingo (18). Entre as substâncias que poderiam explicar a reação dos cães farejadores está a amônia, composto químico que também pode ser utilizado no processamento de cocaína.

Durante a transmissão, a Polícia Legislativa do Senado Federal encaminhou um alerta de inteligência ao Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE) da PM paulista. A informação indicava uma possível ameaça de explosivo em um dos carros utilizados pela comitiva do candidato do PL.

Assim que o confronto terminou, policiais isolaram o estacionamento e as saídas da emissora para realizar uma inspeção. Jornalistas e funcionários foram temporariamente retidos ou orientados a utilizar acessos alternativos, enquanto os candidatos deixaram o local em segurança.

O esquadrão antibombas utilizou cães farejadores para examinar o veículo suspeito. Dois animais apresentaram sinalização positiva para possíveis substâncias químicas, o que levou os policiais a aprofundar a verificação.

O comandante do GATE, Victor Capello Haddad, mencionou vapores de amônia ou a presença de perclorato entre as possíveis explicações para a reação dos animais.

A amônia, cuja fórmula química é NH₃, tem diversas aplicações industriais e também pode ser empregada no processamento ilícito de cocaína. O composto pode atuar como agente alcalinizante na conversão do cloridrato de cocaína em sua forma de base livre, utilizada em drogas fumáveis. O bicarbonato de sódio também é empregado em processos dessa natureza.

A vistoria terminou sem a identificação de qualquer artefato explosivo. Haddad classificou a ocorrência como um alarme falso e explicou que componentes do próprio automóvel, incluindo materiais utilizados no sistema de airbag ou produtos de limpeza, poderiam ter provocado a reação dos cães.

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