
Nos milhões de documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos relacionados ao criminoso sexual Jeffrey Epstein, a supermodelo Naomi Campbell aparece repetidamente, sugerindo ligações sociais e profissionais com o empresário ao longo de anos.
Trocas de e-mails indicam que Campbell pediu para voar em seu avião particular, mencionou encontros com Epstein em sua mansão em Nova York e manteve contato com sua assistente, Lesley Groff, que coordenava convites em nome da modelo para eventos luxuosos ao redor do mundo.
Os registros também indicam que Epstein utilizava sua vasta rede social para se aproximar de jovens mulheres.
E-mails, encontros e presença em propriedades
Entrevistas com vítimas não identificadas apontam que Epstein teria apresentado jovens à modelo em eventos sociais e que ela foi vista em sua mansão e em sua ilha particular.
Uma investigação do jornal The New York Times mostrou que o nome da modelo aparece em quase 300 arquivos divulgados, incluindo uma lista intitulada “Lista de pessoas que precisam do endereço de JE!”, com instruções para envio de cartas à prisão da Flórida onde Epstein cumpriu pena em 2008.
Os documentos indicam que Campbell permaneceu na órbita do empresário mesmo após essa condenação.

Defesa diz que modelo desconhecia crimes
O advogado Martin Singer declarou que a supermodelo não tinha conhecimento da “conduta criminosa hedionda” de Epstein até sua prisão em 2019 e que não manteve contato posterior.
“Antes da prisão de Epstein em Nova York, em 2019, minha cliente não sabia nada sobre sua conduta criminosa abominável”, afirmou. Segundo ele, a modelo morou em Moscou entre 2008 e 2013 e “não fazia ideia de que Epstein era um criminoso sexual registrado”.
A defesa acrescentou que Campbell nunca foi acusada de irregularidades e que as entrevistas do FBI não apresentaram evidências que corroborassem as alegações feitas por vítimas em relação a ela.
Uso do nome da modelo para atrair jovens
Transcrições do FBI indicam que Epstein citava sua associação com Campbell para convencer jovens de que poderiam ter carreira na moda, mencionando contatos com a Victoria’s Secret e com o empresário Leslie Wexner, cuja fortuna ele administrou por anos.
Uma vítima relatou que foi apresentada à modelo no escritório particular de Epstein aos 15 anos, enquanto outras disseram tê-la visto em um jantar na mansão em Nova York e na ilha do empresário. Virginia Giuffre também afirmou anteriormente ter sido apresentada à supermodelo.
O advogado afirmou que Campbell esteve na ilha apenas brevemente, em conexão com um voo comercial com um grupo que viajava para uma corrida de Fórmula 1, e que não se lembrava de encontros com vítimas, além de negar participação em eventos sociais na casa de Epstein, confirmando apenas “3 ou 4 reuniões de negócios” em seu escritório residencial.
Convites, viagens e contatos posteriores
Após sair da prisão em 2009 e já registrado como agressor sexual, Epstein manteve contato com a modelo e aparentemente ofereceu acesso à sua rede de contatos.
E-mails mostram convites para reuniões com executivos da indústria da moda, como Linda Wachner, e participações em eventos como a festa de 40 anos de Campbell em Cannes e uma celebração em Paris pelos 25 anos de sua carreira na Dolce & Gabbana.
O advogado afirmou que a modelo não organizou a lista de convidados e que Epstein compareceu brevemente a um desses eventos acompanhado de Ghislaine Maxwell.
🇺🇸 Naomi Campbell invited Epstein to a Dolce & Gabbana model event.
So, Epstein went to scout for girls?
Was Epstein snatching models from NYC model shows?‼️#Epstein pic.twitter.com/sUWXiuOc9c
— Dr.Sam Youssef Ph.D.,M.Sc.,DPT. (@drhossamsamy65) February 2, 2026
As mensagens também mostram pedidos para uso do avião do empresário e detalhes da agenda da modelo compartilhados com sua equipe. Em um e-mail de 2015, Campbell escreveu: “Quero ver o Jeffrey”, ao discutir planos de viagem.
Segundo a defesa, Campbell “esteve no avião de Epstein em algumas ocasiões, mas nunca presenciou qualquer conduta inadequada de qualquer tipo”. O advogado acrescentou que, se Epstein usou o nome da modelo para impressionar alguém ou ganhar confiança, isso ocorreu sem seu conhecimento ou autorização.