Suplente de Flávio Bolsonaro revela que PF antecipou que Queiroz seria alvo de operação

Queiroz entre Flávio Bolsonaro e sua filha Evelyn (Reprodução)

Matéria da Folha revela que a interferência de Bolsonaro e de sua família na Polícia Federal já ocorria antes mesmo do início de seu governo.

Um dos apoiadores mais próximos durante sua campanha presidencial, o empresário Paulo Marinho, 68, relatou em entrevista a Mônica Bergamo que o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) soube com antecedência da Operação Furna de Onça, da Polícia Federal, que tinha como alvo Fabricio Queiroz.

No dia 13, pela manhã, ele afirma que Flávio Bolsonaro e ele se encontraram já com os advogados Christiano Fragoso e Victor Alves.

“Ele estava absolutamente transtornado. E esse advogado, Victor, dizendo ao advogado Christiano que tinha conversado com o Queiroz na véspera e que o Queiroz tinha dado a ele acesso às contas bancárias para ele checar as acusações que pesavam contra o Queiroz”, afirma.

“O Victor estava absolutamente impressionado com a loucura do Queiroz, que tinha feito uma movimentação bancária de valores absolutamente incompatíveis com tudo o que ele poderia imaginar”.

Foi depois de ter relatado o caso Queiroz para o empresário que Flávio contou do dia em que foi avisado antecipadamente sobre a operação que teria como alvo seu ex-funcionário.

Um encontro teria ocorrido na Superintendência da Polícia Federal, na praça Mauá, no Rio de Janeiro. Nele estavam o ex-coronel Miguel Braga, atual chefe de gabinete de Flávio no Senado, o advogado Victor Alves e Val Meliga, que segundo Marinho era “da confiança do Flávio e irmã de dois milicianos que foram presos na Operação Quatro Elementos”.

“O delegado saiu de dentro da superintendência. Na calçada —eu estou contando o que eles me relataram—, o delegado falou: ‘Vai ser deflagrada a Operação Furna da Onça, que vai atingir em cheio a Assembleia Legislativa do Rio. E essa operação vai alcançar algumas pessoas do gabinete do Flávio [o filho do presidente era deputado estadual na época]. Uma delas é o Queiroz e a outra é a filha do Queiroz [Nathalia], que trabalha no gabinete do Jair Bolsonaro [que ainda era deputado federal] em Brasília’”, relatou.

Logo após a entrevista ser publicada, Marinho postou o lema de campanha de Moro no Twitter: “Verdade acima de tudo. Fazer a coisa certa acima de todos.”

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