Suprema Corte amplia poderes de Trump e permite que ele demita funcionários de agencias federais

Atualizado em 29 de junho de 2026 às 20:15
O presidente dos EUA Donald Trump. Foto: Divulgação

A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu nesta segunda-feira (29) derrubar um precedente judicial que vigorava desde 1935 e autorizou o presidente Donald Trump a demitir uma comissária da Federal Trade Commission (FTC), órgão independente responsável pela regulação da concorrência no país.

A decisão, tomada por 6 votos a 3, foi conduzida pela maioria conservadora do tribunal e altera o entendimento histórico de que o Congresso poderia garantir proteção contra demissões a dirigentes de determinadas agências reguladoras.

Com o novo posicionamento, a Corte invalidou as regras de estabilidade no cargo de membros da FTC, ampliando o poder do presidente sobre estruturas consideradas até então independentes dentro do governo federal.

A medida teve impacto direto em um caso envolvendo a comissária Rebecca Slaughter, afastada por Trump no ano passado após divergências políticas. A decisão reacende o debate sobre os limites da autoridade presidencial sobre órgãos reguladores.

Após o julgamento, Trump celebrou o resultado e afirmou: “Esta decisão era almejada pelos presidentes dos EUA desde a década de 1930”. O presidente também declarou: “É uma grande honra ser o presidente em exercício que obteve esta decisão histórica e sem precedentes”.

Apesar da vitória neste caso, a decisão da Suprema Corte ocorreu no mesmo dia em que o republicano enfrentou outras derrotas em julgamentos relacionados ao seu governo.

Prédio da Suprema Corte dos EUA. Foto: Divulgalçao

Em outra decisão, os juízes impediram Trump de demitir a diretora do Federal Reserve (Fed), Lisa Cook, mantendo a estabilidade da autoridade monetária. O tribunal já havia barrado a medida anteriormente, e a Casa Branca tentou recorrer sem sucesso.

A votação também foi apertada, com placar de 5 a 4, consolidando o entendimento de que o presidente não pode destituir integrantes do banco central norte-americano sem justificativa legal específica.

No campo eleitoral, a Suprema Corte validou leis estaduais que permitem a contagem de votos enviados pelo correio e recebidos após o dia da eleição, desde que postados dentro do prazo legal. A decisão impacta diretamente as eleições de meio de mandato previstas para novembro.

O tribunal derrubou entendimento anterior de uma corte inferior que havia considerado a prática incompatível com regras federais, em um caso envolvendo o estado do Mississippi.

A Corte também rejeitou um recurso apresentado por Trump em um processo civil envolvendo a escritora E. Jean Carroll. O júri já havia concluído em 2023 que o presidente abusou sexualmente da autora e, posteriormente, a difamou.

Com a decisão, os ministros mantiveram o entendimento das instâncias inferiores e encerraram a possibilidade de novos recursos no caso. Trump deverá pagar US$ 5 milhões à escritora, valor equivalente a cerca de R$ 25,8 milhões.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.