“Suspeita de golpe” de vendedores da Davati já foi desmascarada por jornalista

Foto: Reprodução, Google Maps

Em maio, o repórter Lucas Ragazzi, da 98 Live, inventou uma cidade para negociar com golpistas que tentam vender vacinas.

Diversas prefeituras de Minas Gerais foram procuradas por supostas representantes comerciais de vacinas e então ele decidiu inventar a cidade de Juatuba do Norte.

“Prefeito, foi relatado que a prefeitura não está conseguindo comprar a vacina contra a Covid-19. Diante do relato, informo que temos em estoque a quantidade para atender a requisição, só não posso garantir por muito tempo, porque a demanda é muito grande”, escreveu um homem identificado como J. D. D. G. à prefeitura fictícia.

Esta era a mesma abordagem usada com outras prefeituras e governos estaduais.

J. D. D. G. é um comerciante de 51 anos que compartilha fake news sobre política e sobre a pandemia nas redes.

Ele possui uma função similar à de Luiz Paulo Dominghetti.

“Para checar esse esquema por trás das ofertas, por duas semanas, me apresentei aos negociadores supostamente com acesso às vacinas como servidor da fictícia Prefeitura de Juatuba do Norte. No primeiro contato com J. D. D. G., em que me coloquei como chefe de gabinete do município fictício, ele afirmou que as negociações para a compra da vacina eram simples e que, após apresentar uma ‘LOI’ (em inglês ‘Letter of Intent’, e em português traduzido como ‘Carta de Intenção’), a empresa produtora da vacina, a americana Davati, iria avaliar e retornar com o contrato de compra”, explica Ragazzi.

O comerciante que entrou em contato com ele chegou a dizer que o imunizante foi produzido numa parceria da “Davati, com a Johnson e a universidade de Oxford”.

O suposto vendedor se enrolou com questões sobre documentação para provar que representava a empresa.

Ele afirmou que fez uma parceria com outro representante, de São Paulo, chamado de A. A. F. C. J., e garantiu:

“Pode pedir o seu jurídico para consultar com a Prefeitura de São Paulo sobre a nossa seriedade, pode fazer a pesquisa”.

A Prefeitura de São Paulo, no entanto, negou qualquer contrato com a Davati ou outras empresas.

Mesmo assim, J. D. D. G. prosseguiu com a narrativa e garantiu que sua versão estava correta.

Para provar que realmente é representante da Davati, o suposto vendedor encaminhou um documento fajuto atestando que ele é intermediador da empresa, usando um brasão de uma família imperial russa:

Rodapé do documento fajuto. Foto: Reprodução

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