Tábata Amaral, a voz da educação crítica e inclusiva na Câmara dos Deputados. Por Daniel Trevisan

Tábata Amaral

A velha mania de focar na desgraça nos impede de ver a eleição de uma jovem em São Paulo que faz a diferença na sua geração e na nossa também.

Uma mulher que fez da bandeira da educação inclusiva a razão de sua existência.

Refiro-me a Tábata Amaral, de 24 anos, que recebeu 260.990 votos e foi a sexta deputada federal mais votada em São Paulo.

É do PDT, o partido que Leonel Brizola criou segurando, entre outras, a bandeira da educação, com a proposta de ensino pleno e de tempo integral.

Tábata é um ponto fora da curva. Ela nasceu na Vila Missionária, periferia de São Paulo. Sua mãe era faxineira e o pai, cobrador de ônibus.

Estudou em escola pública até a oitava série e, como se destacou nas competições de matemática, ganhou bolsa para estudar em escola particular.

Há cerca de cinco anos, inscreveu-se para ser admitida na Universidade de Harvard e foi aprovada, não tanto por seus conhecimentos, mas pela sua história de vida, como explicou em entrevista a Mário Sérgio Conti, na Globonews.

“A minha história, o ponto de saída, foi muito considerado. E foi só por isso que eu fui aceita lá”, disse.

Ela não foi bem na prova de inglês, nem foi a melhor na prova de conhecimento. Mas os professores que analisaram seu seu exame levaram em consideração o empenho que ela faz para inverter as estatísticas e buscar um lugar que, pela tradição de exclusão no Brasil, jamais seria seu.

É um tipo de cota, mas com outro nome.

Ela cursou astrofísica e ciência política.

Tábata entende que a educação deve ser crítica, para ensinar alunos a pensar e ser protagonista de sua história.

Desde que voltou dos Estados Unidos, dedicou-se a movimentos sociais ligados à educação, sempre na periferia.

Ela não diz, mas fica evidente pelo que fala: sua militância é o oposto da chamada escola sem partido, este um modelo que corrompe os pilares da verdadeira educação, inclusive a que é praticada num centro de excelência do ensino mundial que é Harvard.

Janaína Paschoal, a musa da farsa do impeachment, se elegeu com mais de 2 milhões de votos, um recorde.

Tem idade para ser mãe de Tábata, mas o que revela a eleição de uma e de outra é que a idade não é sinônimo de sabedoria nem o número revela representa qualidade. Muito pelo contrário.

Tiririca que o diga.

Já Tábata, com sua votação expressiva, mas muito aquém da de Janaína, se credencia para ser um dos quadros fundamentais para, na esfera política, ajudar a tirar o país do abismo da ignorância.

A jovem traz na alma as marcas da luta de tantas outras da periferia, mulheres que ha alguns anos se destacaram num movimento pela ocupação das escolas em protesto contra a baixa qualidade do ensino.

Quando foi admitida em Harvard, o pai, cobrador de ônibus, morreu, vítima do álcool e das drogas — que tragam vidas em todas as classes sociais, mas principalmente nas classes mais pobres.

Quase desistiu, mas já estava tomada por uma causa, a de transformar a própria vida e, transformando-a, ser vetor de transformação de outras.

Palmas para Tábata.

Poderia ficar num país já civilizado, como os Estados Unidos, mas preferiu assumir seu lugar na trincheira.

Na entrevista a Conti, quando perguntada por que voltou, ela disse:

“Uma das razões que me fez voltar para o Brasil foi a mesma que me fez ir pra os Estados Unidos: eu tive uma série de oportunidades ao longo da minha vida que eu sei que nem todo mundo tem acesso, porque são muito restritas. Então, de certa maneira, poder voltar foi tentar contribuir para que essas pessoas pudessem ter oportunidades e fechar a conta na história da minha cabeça.”

De novo, palmas para Tábata Amaral.

E preste atenção neste nome.

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