Tabata Amaral propõe lei que proíbe críticas a Israel; entenda

Atualizado em 30 de março de 2026 às 17:43
A deputada Tabata Amaral. Foto: Divulgação

Um projeto de lei apresentado na Câmara dos Deputados propõe estabelecer o conceito de “antissemitismo” com base nos critérios da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA). O texto sugere censurar quem faz críticas a Israel, ao interpretar o antissemitismo como uma forma de racismo. Em 2023, a definição da IHRA foi usada para perseguir professores da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

A iniciativa, liderada pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), reúne apoio de 45 parlamentares de diferentes partidos e causou revolta de políticos como a deputada Heloísa Helena (Rede-RJ), que retirou sua assinatura e disse que a inclusão de seu nome na proposta é “inaceitável”. Além de Heloísa, retiraram seus nomes os deputados Reginaldo Veras (PV-DF), Welter (PT-PR), Vander Loubet (PT-MS), Luiz Couto (PT-PB), Ana Paula Lima (PT-SC) e Alexandre Lindenmeyer (PT-RS).

A proposta prevê que manifestações antissemitas possam ter como alvo o Estado de Israel, “encarado como uma coletividade judaica”. O projeto também afirma que críticas a Israel semelhantes às feitas a outros Estados não devem ser consideradas antissemitas. Ainda assim, utiliza exemplos da IHRA como referência para orientar a aplicação do conceito.

Apesar de não criar novos tipos penais, a proposta vincula o tema à Lei do Racismo, o que pode influenciar a aplicação da legislação já existente em casos relacionados ao assunto. O texto também menciona que a definição da IHRA é utilizada como referência internacional, embora haja questionamentos sobre sua aplicação em diferentes contextos jurídicos.

No Brasil, o Conselho Nacional de Direitos Humanos criticou a adoção da definição. Em nota técnica, o órgão afirmou que ela é “inconstitucional” e que “introduz conceitos distorcidos de antissemitismo para perseguir e condenar quem se manifesta contrário às políticas do Estado de Israel”.

Reunião da International Holocaust Remembrance Alliance (IHRA) em 2024. Foto: Divulgação

A proposta também foi alvo de críticas de analistas políticos. O jornalista Breno Altman comentou o projeto e seus apoiadores, antes de alguns retirarem suas assinaturas. “Tabata Amaral (PSB-SP), Heloísa Helena (REDE-RJ) e Vander Loubet (PT-MS) são subscritores do PL 1424/2026, que equipara antissionismo e antissemitismo, adotando regras da IHRA, da qual Lula retirou o Brasil. Não se envergonham de serem cúmplices do Estado genocida de Israel?”, afirmou.

O presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal), Ualid Rabah, detonou Tabata após a apresentação do projeto. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que a parlamentar atua como “capanga do sionismo”.

Ele declarou que a deputada “requenta projeto da Mordaça Sionista no Brasil” e a descreveu como “uma espécie de ‘office boy VIP’ do sionismo no Brasil”. Rabah também questionou a adoção dos critérios da IHRA, que classificou como um “lobby sionista”. Ainda na publicação, afirmou que a definição proposta “é criticada no mundo inteiro por alargar o conceito de antijudaísmo para blindar ‘israel’ e suas políticas genocidas de críticas”.

O presidente da Fepal citou posicionamento do Conselho Nacional de Direitos Humanos, que já se manifestou sobre o tema. De acordo com ele, o órgão considerou a definição “inconstitucional” e afirmou que ela “introduz conceitos distorcidos de antissemitismo para perseguir e condenar quem se manifesta contrário às políticas do Estado de Israel”.

Em nota, a entidade lamentou o apoio de parlamentares ao projeto. “A FEPAL lamenta que entre os signatários do Projeto de Lei estejam parlamentares progressistas, que já denunciaram o genocídio em Gaza, e esperamos que retirem suas assinaturas, sob pena de manchar as mãos com o sangue das crianças palestinas exterminadas por ‘israel’”.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.