
A deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) defendeu a indicação do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) para o Ministério da Fazenda no quarto mandato de Lula (PT) e admitiu disputar a Prefeitura de São Paulo em 2028. Em entrevista ao Estadão, ela afirmou que o correligionário tem uma visão que concilia responsabilidade social e fiscal, mas ressaltou que a escolha da equipe cabe ao presidente.
Reeleita para o terceiro mandato na Câmara, Tabata afirmou que Alckmin poderia contribuir mais com o próximo governo e citou sua atuação nas negociações sobre as tarifas dos Estados Unidos. Ao tratar dos espaços do PSB na Esplanada, disse que a legenda pretende apresentar quadros e um projeto de país, sem condicionar a conversa a um loteamento de pastas.
Sobre São Paulo, a parlamentar afirmou que voltar a disputar a prefeitura é um desejo dela e do partido. A candidatura dependeria, porém, de uma construção política. Na eleição municipal de 2024, ela terminou em quarto lugar, com 9,91% dos votos, e agora diz que sua prioridade imediata é o trabalho na Câmara.
Tabata criticou Ricardo Nunes (MDB) pela redução da frota de ônibus no segundo turno e pela convocação de servidores municipais para um ato de Flávio Bolsonaro (PL). A deputada cobrou investigação e responsabilização. Procurada pelo Estadão para comentar as críticas, a prefeitura não se manifestou.
A parlamentar afirmou que “São Paulo não é bolsonarista” e usou o crescimento da votação de Lula na capital como argumento para uma nova disputa municipal. Segundo ela, o petista ganhou cerca de 800 mil votos entre os turnos na cidade. Tabata defendeu um projeto de centro para o município, com mudanças na gestão e na forma de se comunicar com a população.
No Congresso, a deputada quer reproduzir a mobilização das ruas e das redes usada no segundo turno para pressionar por mudanças nas emendas parlamentares. Ela defendeu vincular a discussão a serviços concretos, como transporte, saúde e educação, para tornar mais claro o destino dos recursos e ampliar a participação popular.
Tabata também relatou ter participado de uma reunião com o presidente da Câmara, Hugo Motta, e lideranças partidárias sobre reforma político-eleitoral. Nesse encontro, propôs discutir um código eleitoral para as redes sociais. Segundo ela, um grupo de trabalho começará a atuar na próxima semana, com sua participação pelo PSB e a intenção de votar regras ainda nesta legislatura.
A proposta defendida pela deputada inclui mais transparência sobre o financiamento de publicações e o funcionamento dos algoritmos. Ela afirmou suspeitar de favorecimento ao bolsonarismo pelas plataformas durante a eleição e apresentou essa avaliação como argumento para a regulação; a entrevista não traz uma conclusão de investigação que comprove a interferência alegada.
Ao tratar da crise envolvendo o Banco Master e integrantes de instituições públicas, Tabata disse temer um acordo político que esvazie as apurações. Defendeu mudanças no Judiciário, maior presença de mulheres no STF e regras sobre a atuação de parentes de ministros. Para o próximo governo Lula, cobrou ainda prioridade à segurança pública, ao combate à corrupção e às transformações no trabalho.