Tarantino vingou os negros em Django

Em Bastardos Inglórios ele massacrou os nazistas; agora, exterminou os escravocratas americanos.

Django
Django

Ladies & Gentlemen:

O Boss me autorizou a ir além das fronteiras do futebol, e então vou a um tema em que trabalhei alguns anos em minha juventude em Manchester: cinema.

Começo com Tarantino, nosso gênio prognata que parece ser irmão mais velho de Federer no queixo proeminente e exuberante.

O que mais aprecio nesta fase mais recente e barriguda de Tarantino, primeiro em Bastardos Inglórios e agora em Django, é seu ímpeto vingativo.

Em Bastardos Inglórios ele fez o que todos nós gostaríamos de ter feito com Hitler e os nazistas.Em nenhum outro filme os nazistas foram exterminados com tamanho requinte de crueldade como em Bastardor Inglórios.

Hitler foi absolutamente ridicularizado na primeira cena do filme, em que ele é avisado sobre os ataques dos “bastardos” para sua indignação.

Agora, em Django, Tarantino fez o que todos nós gostaríamos de ter feito com os brancos racistas que submeteram os negros americanos a uma situação de miséria humilhada por tanto tempo.

Tarantino promoveu, no filme, um genocídio de racistas. Tivesse Django, o heroi negro do filme, realmente existido, a Casa Branca teria sido ocupada por um afroamericano muito antes de Obama.

Você vê, no filme, passado dois anos antes da Guerra Civil, negros com focinheira, negros com as costas marcadas de tantas chicotadas, negros impedidos de andar a cavalo – todas as atrocidades, enfim, do racismo americano.

Mas vê Django matar espetacularmente, ao melhor estilo do Prognata, brancos canalhas numa quantidade inacreditável.
A violência, como em Bastardos Inglórios, é mitigada pelo humor sutil e inteligente.

Tarantino vingou sensacionalmente os negros, assim como vingara os judeus.

Ladies & Gentlemen: ele parece ter se tornado um cineasta vingador, um assassino cinematográfico a serviço do bem, um artista dedicado a reescrever a história para extirpar a vilania nem que seja de mentirinha.

E é por isso que merece ser aplaudido de pé, como diz o Boss – e como nem minha neurastênica mulher, Chrissie, a cada dia mais azeda, haveria de discordar.

Sincerely.
Scott

TRADUÇÃO: ERIKA KAZUMI NAKAMURA

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Aos 53 anos, o jornalista inglês Scott Moore passou toda a sua vida adulta amargurado com o jejum do Manchester City, seu amado time, na Premier League. Para piorar o ressentimento, ele ainda precisou assistir ao rival United conquistando 12 títulos neste período de seca. Revigorado com a vitória dos Blues nesta temporada, depois de 44 anos na fila, Scott voltou a acreditar no futebol e agora traz sua paixão às páginas do Diário.