Tarcísio, Caiado e Castro: as visitas canceladas após prisão de Bolsonaro

Atualizado em 22 de novembro de 2025 às 9:47
Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas. Foto: reprodução

A prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), na manhã deste sábado (22), provocou o cancelamento de todas as visitas previamente autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A decisão do ministro Alexandre de Moraes atinge pelo menos 13 visitas aprovadas e outras 16 que haviam sido solicitadas nos últimos dias, incluindo autoridades como Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo; Claudio Castro (PL), governador do Rio de Janeiro; e Ronaldo Caiado (União Brasil), governador de Goiás.

Até então, Bolsonaro estava em prisão domiciliar no condomínio Solar de Brasília, no Jardim Botânico, área de alto padrão do Distrito Federal. Ali, recebia aliados com frequência, como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que esteve com ele na última sexta-feira (21).

Essas visitas eram autorizadas caso a caso por Moraes, que desde agosto determinava as condições da prisão domiciliar. No entanto, com a nova prisão preventiva, o ministro ordenou: “O cancelamento de todas as autorizações de visitas deferidas ao réu Jair Messias Bolsonaro nos autos da AP 2.668/DF”.

Veja a lista de visitas canceladas: 

  1. Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo;
  2. Claudio Castro (PL), governador do Rio de Janeiro;
  3. Ronaldo Caiado (União Brasil), governador de Goiás;
  4. Adolfo Sachsida, economista;
  5. Bruno Scheid, vice-presidente do PL em Rondônia;
  6. Cleidimar da Silva Moreira, padre de Goiânia (GO);
  7. Evair Vieira de Melo (PP-ES) , deputado federal;
  8. Guilherme Derrite (PP-SP), deputado federal e ex-secretário de Segurança de SP;
  9. José Medeiros (PL), senador;
  10. Odelmo Leão Carneiro Sobrinho (PP), deputado federal;
  11. Pablo Henrique de Faria, padre da cidade de Iporá, em Goiás;
  12. Paulo M. Silva;
  13. Ubiratan Antunes Sanderson (PL), deputado federal.

Veja a lista de solicitações de visitas: 

  1. Bia Kicis (PL), deputada federal;
  2. Julia Zanatta (PL), deputada federal;
  3. Carlos Portinho (PL), senador;
  4. Sostenes Cavalcante (PL), deputado federal;
  5. Sebastião Coelho, ex-desembargador do TJDFT;
  6. Tiago Pavinatto, jornalista;
  7. Padre Kelmon, ex-candidato à presidência da República;
  8. Onyx Lorenzoni, ex-chefe da Casa Civil de Bolsonaro;
  9. Antônio Machado Ibiapina, dirigente do PL;
  10. Gilvan Aguiar Costa (PL-ES), deputado federal;
  11. Giovani Cherini (PL), deputado federal;
  12. Lenildo Mendes (PL-PA), deputado federal;
  13. Almirante Flávio Augusto Viana Rocha, ex-Secretário Especial de Assuntos Estratégicos.
  14. Bruno Bierrenbach Bonetti, secretário estadual do PL no Rio;
  15. Augusto Nunes, jornalista;
  16. Abílio Brunini (PL), prefeito de Cuiabá (MT).
Jair Bolsonaro atrás de grades. Foto: reprodução

A decisão foi tomada após a Polícia Federal solicitar a prisão preventiva diante do risco de fuga e de obstrução das medidas cautelares. De acordo com Moraes, a convocação de uma vigília por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), marcada para a noite deste sábado, representava ameaça à ordem pública.

Citando informações do Centro de Monitoração Integrada do Distrito Federal, o ministro afirmou que houve “violação do equipamento de monitoramento eletrônico do réu Jair Messias Bolsonaro, às 0h08min do dia 22/11/2025”, indicando tentativa de romper a tornozeleira e de fugir “facilitada pela confusão causada pela manifestação convocada por seu filho”.

Para Moraes, o ato apelidado de vigília escondia o objetivo de provocar tumulto, reiterando práticas anteriores do grupo político do ex-presidente. Segundo ele, “a conduta indica a repetição do modus operandi da organização criminosa liderada pelo referido réu”. O

ministro também menciona que Bolsonaro, durante a investigação do caso que levou à condenação por tentativa de golpe, planejou fugir para a embaixada da Argentina, solicitando asilo político. A proximidade de sua casa com o Setor de Embaixadas, a apenas 13 quilômetros, foi apontada como fator de risco.

Além da vigília, Moraes citou a fuga de aliados próximos como Alexandre Ramagem, Carla Zambelli e Eduardo Bolsonaro, todos fora do país, para justificar o elevado risco de evasão. O ministro afirmou ainda que um vídeo publicado por Flávio Bolsonaro “incita o desrespeito ao texto constitucional, à decisão judicial e às próprias instituições”.

Bolsonaro foi preso por volta das 6h, sem resistência. Michelle Bolsonaro não estava no local. Às 6h35, o comboio chegou à sede da Polícia Federal. Na sequência, ele foi levado à Superintendência da PF, onde passou por exame de corpo de delito realizado no próprio prédio, para evitar exposição pública.

A PF informou, em nota, que cumpriu o mandado de prisão preventiva conforme decisão do STF. A defesa afirmou que, até as 6h40, “ainda tinha sido informada” da prisão.

Bolsonaro estava em prisão domiciliar desde 4 de agosto, medida imposta após o ministro Moraes afirmar que o ex-presidente utilizou redes sociais de aliados” inclusive seus filhos parlamentares” para divulgar mensagens com “claro conteúdo de incentivo e instigação a ataques ao Supremo Tribunal Federal e apoio ostensivo à intervenção estrangeira no Poder Judiciário brasileiro”.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.