Tarcísio deve se candidatar à Presidência independente do aval de Bolsonaro, dizem aliados

Atualizado em 2 de novembro de 2026 às 10:24
Tarcísio de Freitas fala ao microfone durante evento de campanha
Tarcísio de Freitas segura microfone e acena em evento de campanha, diante de público. Foto: Reprodução

Aliados do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), passaram a projetar uma candidatura dele à Presidência em 2030 sem a necessidade de aval da família Bolsonaro. A avaliação no entorno do governador é que a perda de protagonismo de Jair Bolsonaro (PL) e de seus filhos abriria espaço para Tarcísio se apresentar como nome da direita.

O vice-governador Felicio Ramuth (MDB) afirmou que o bolsonarismo continuará como força política, mas perderá centralidade nas próximas disputas presidenciais. “O bolsonarismo veio para ficar como movimento político, mas perderá o protagonismo nas próximas eleições presidenciais”, disse à Folha.

Ramuth comparou o possível encolhimento do grupo ao cenário enfrentado pelo PT após Lula e pelo PSDB. “O PT pós-Lula […] corre um grande risco de ver seu peso político diminuir exatamente como aconteceu com o PSDB”, declarou o vice-governador.

Em 2026, a articulação de Tarcísio para uma corrida nacional não avançou porque Bolsonaro indicou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a disputa presidencial. Naquele momento, o governador paulista tinha melhor recepção no mercado financeiro, enquanto Flávio enfrentava mais dificuldade para atrair partidos e eleitores de direita e de centro.

Tarcísio, Flávio, Jair e Renan Bolsonaro. Foto: reprodução

Tarcísio admite desgaste com bolsonaristas

Reeleito em outubro, Tarcísio deu sinais de que aceita enfrentar críticas de setores bolsonaristas. No dia em que Flávio divulgou uma carta de teor golpista, o governador defendeu, em nota, o respeito ao resultado eleitoral: “O caminho é respeitar o resultado das urnas” e “agora é preciso olhar para frente”.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Tarcísio vinculou uma eventual candidatura ao Planalto ao desempenho de sua gestão em São Paulo. Ele disse que uma campanha nacional será consequência de “terminar bem” o segundo mandato.

A postura levou o governador à mira de bolsonaristas, mas Michelle Bolsonaro (PL-DF), ex-primeira-dama e senadora eleita, o defendeu de ataques feitos por aliados de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A manifestação de Michelle deu respaldo a Tarcísio no embate com esse setor.

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), que apoiou a candidatura de Flávio Bolsonaro, buscou reduzir a tensão. “A Michelle Bolsonaro afirmou que não tem nenhuma crítica do Jair Bolsonaro ao Tarcísio, só agradecimento e reconhecimento. Casos isolados são de pessoas que na verdade desejam manter engajamento nas suas redes”, afirmou.

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