
O governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) exonerou a coordenadora de Desenvolvimento de Programas da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Silvana Gimenes, dois dias depois de ela criticar uma fala de Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Lula durante o debate da TV Globo.
Silvana, que é pessoa com deficiência, publicou no sábado (24) uma crítica ao então candidato à Presidência após ele usar a expressão “nove dedos” para se referir a Lula, que perdeu um dedo em um acidente de trabalho. Lula venceu a eleição no domingo (25).
“Ao ouvir o 22 chamar Lula de ‘nove dedos’, apenas constatei o que sempre digo. O preconceito, o racismo, o capacitismo, a LGBTfobia podem estar escondidos, mas sempre vêm à tona”, escreveu a servidora em uma rede social.
Na publicação, ela também afirmou: “Sou mulher, LGBT com deficiência e luto por respeito e dignidade. Só quem sempre é alvo sabe o quanto é doloroso ser piada por ter uma deficiência, doença rara ou condição congênita. Não é ato falho, brincadeira, muito menos bobagem”.
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Secretaria cita ajustes administrativos para justificar exoneração
Na segunda-feira (26), ao chegar ao trabalho, Silvana soube que deixaria a equipe. O secretário estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Marcos da Costa, comunicou ao superior dela que a coordenadora seria dispensada.
“Infelizmente, a justificativa utilizada pelo secretário Marcos da Costa para o meu superior foi que haveria mudanças na equipe e que ele começaria por mim. Dito isso, recebi uma ligação comunicando que voltasse para minha casa, pois não fazia mais parte da equipe”, relatou Silvana.
Servidora pública há 41 anos e militante conhecida na área dos direitos das pessoas com deficiência, ela perdeu apenas o cargo comissionado e permanece no funcionalismo estadual. Silvana disse não poder afirmar que a exoneração decorreu de sua crítica a Flávio Bolsonaro.
“Mudanças são comuns em novas gestões, por isso, não tenho o que falar ou comentar. Só posso supor o motivo e, no campo das suposições, não há o que falar”, afirmou. A Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência declarou que o posto era de livre nomeação e exoneração e atribuiu a saída da coordenadora a “ajustes administrativos na secretaria”.