Tarcísio sai de fininho, diz que fica em SP e declara apoio a Flávio

Atualizado em 15 de janeiro de 2026 às 17:03
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Foto: Divulgação

Para alguém que foi guindado ao cargo de candidato a governador de São Paulo por Bolsonaro, Tarcísio fez o esperado diante do mando do chefe: saiu de fininho. Afirmou nesta quinta-feira (15) que não pretende disputar a Presidência da República e reiterou que seu foco está na reeleição ao Palácio dos Bandeirantes. Questionado por jornalistas sobre rumores de uma candidatura nacional, ele foi direto. “Nunca teve esse projeto. É que vocês não acreditam. Mas eu sempre estou falando que meu projeto é reeleição, reeleição”, disse.

Na mesma declaração, ele confirmou apoio ao senador Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência. “O Flávio é um grande nome, já falei que ele é meu candidato, que vai ter o nosso apoio”, afirmou, buscando encerrar especulações sobre uma eventual disputa interna no campo bolsonarista.

A fala ocorre após repercussão negativa de um vídeo publicado pelo governador na terça-feira (13), gravado no fim de 2024, com críticas ao PT. A publicação ganhou novo alcance depois de um comentário da primeira-dama, Cristiane Freitas, que escreveu que o Brasil precisava “de um novo CEO, meu marido”.

A mensagem foi criticada por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. O vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro, irmão de Flávio, ironizou a postagem ao publicar uma imagem do ex-governador João Doria segurando uma revista que o descrevia como CEO.

Nesta quinta, Tarcísio tentou se esquivar do caso. “A mensagem ali é de desabafo contra o PT”, afirmou. Segundo ele, o termo CEO foi usado no contexto de um evento empresarial. “A gente está dizendo ali o seguinte: a gente precisa, na verdade, de um gestor que pense o Brasil, que tenha a liderança para enfrentar os grandes desafios e resolver os problemas.”

O governador também comentou críticas vindas de integrantes da família Bolsonaro, mas evitou responder diretamente sobre os ataques direcionados a ele e à primeira-dama. Preferiu mudar de assunto e reforçar o alinhamento político com o grupo.

Ainda durante a entrevista, ele defendeu a concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado. Segundo ele, há “questões humanitárias” envolvidas. “O presidente não está bem de saúde. Veja: uma pessoa que tem refluxo às vezes se engasga à noite e pode ter um problema de asfixia”, declarou.

As declarações foram dadas na primeira agenda pública do governador em 2026. Tarcísio esteve em Suzano, na Grande São Paulo, para marcar o início das obras das alças de acesso do trecho leste do Rodoanel às cidades de Suzano e Poá.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 27 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.