
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), invocou a prisão de Jair Bolsonaro (PL) para justificar a decisão de Flávio Bolsonaro (PL) de fugir para os Estados Unidos após a derrota para Lula (PT). Em entrevista ao Estadão nesta quarta-feira (28), ele disse ter aconselhado o aliado a permanecer no Brasil, mas afirmou que não julgava a saída do país.
“O conselho que nós demos a ele – os advogados, eu, o (Rogério) Marinho, as pessoas que estavam ali reunidas – foi que ficasse (no Brasil). Mas é o que eu falo: eu não julgo a decisão que foi tomada porque é muito duro passar… ele está com o pai preso aí há quanto tempo?”, declarou.
A resposta foi dada quando o governador foi questionado se, na mesma situação, ficaria no Brasil para enfrentar o que a pergunta descreveu como uma tentativa de vingança. Tarcísio relatou o conselho dado ao senador e recorreu à situação de Jair para explicar por que não condenava a decisão do filho.

Em outro momento, o governador atacou a determinação de entrega dos passaportes de Flávio. “O que tem de concreto hoje contra ele? Pode ser que amanhã apareça um monte de coisa, mas a gente não sabe. Hoje não tem nada”, afirmou. Em seguida, classificou a medida como intimidação e questionou sua finalidade: “E se não tem nada, por que pediram o passaporte? Qual o objetivo disso? Houve ali uma intimidação”.
A ordem foi assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz. A PF havia apontado riscos “concretos e atuais” de saída do país ao pedir a retenção dos documentos. O senador, que nega irregularidades, chegou a Miami nesta quarta-feira, após deixar o Brasil sem entregar os passaportes, apesar da proibição judicial de viajar ao exterior.
Segundo Tarcísio, a orientação para permanecer no país foi discutida na casa dos advogados, em uma reunião sobre o pronunciamento de Flávio após a eleição. O governador disse ter recomendado o uso de ações na Justiça Eleitoral para contestar supostos abusos de poder político e econômico e afirmou que desconhecia o plano de fuga do aliado.