Tarifaço, visto de embaixadora e guerra da Ucrânia: o que Lula e Trump devem discutir

Atualizado em 6 de agosto de 2026 às 12:50
Encontro entre Lula e Trump, em outubro de 2025, na Malásia. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Lula sinalizou a aliados que tentará conversar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na próxima semana, em meio à crise diplomática aberta pelas tarifas contra produtos brasileiros e pela revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Viotti.

Ainda não há data definida para o telefonema. Lula mencionou a intenção em conversa com políticos do PSOL e da Rede nesta quinta (6), quando também defendeu o fim da guerra na Ucrânia e detonou a atuação do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) diante do conflito.

Aliados do presidente avaliam que a conversa pode ajudar a reduzir a tensão entre Brasília e Washington. A expectativa é que Lula trate diretamente do tarifaço imposto pelo governo Trump, medida que o Planalto contesta e tenta reverter por negociações diplomáticas.

O governo brasileiro também acionou a Organização Mundial do Comércio para questionar a nova rodada de tarifas. A iniciativa busca limitar os efeitos da medida sobre exportadores brasileiros enquanto o Planalto procura uma saída nas tratativas com os Estados Unidos.

Visto de embaixadora entrou na crise entre Brasília e Washington

A embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti, durante evento da ONU (Organização das Nações Unidas). Foto: Evan Schneider

Outro tema possível para a conversa é a situação de Maria Luiza Viotti, embaixadora do Brasil nos Estados Unidos. Na terça (5), o governo americano anunciou a revogação temporária do visto dela como resposta à falta de agrément do Brasil para Daniel Perez, indicado por Washington para atuar como embaixador em Brasília.

Um porta-voz do Departamento de Estado classificou a decisão como medida de reciprocidade. O agrément é a aceitação formal que um país concede ao representante diplomático indicado por outra nação.

Integrantes do entorno de Lula afirmam que o presidente indicou não pretender conceder agrément a nenhum indicado dos Estados Unidos até o fim das eleições. O governo brasileiro analisa os cenários e a resposta à decisão americana sobre o visto de Viotti.

Aliados de Lula atribuem as tarifas e o episódio diplomático a motivações políticas ligadas às eleições de outubro e dizem que o Planalto reforçará o discurso de defesa da soberania. Governistas também planejam acusar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário de Lula na disputa, de agir contra interesses brasileiros por sua proximidade com Trump e o secretário de Estado Marco Rubio.

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