
A ministra do Planejamento, Simone Tebet, oficializou nesta sexta-feira (27) sua filiação ao PSB e confirmou a intenção de disputar o Senado por São Paulo, integrando a chapa encabeçada por Fernando Haddad (PT) ao governo estadual. Durante o evento, realizado na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), Tebet também defendeu a permanência do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) na composição com Lula (PT) para 2026.
Em declaração após a cerimônia, a ministra afirmou: “Eu defendo hoje que o vice-presidente continue, que em time que está ganhando não se mexe, na vaga de vice-presidente, de pré-candidato a vice-presidente da República, ao lado do presidente Lula”. A fala reforça o movimento dentro do PSB para manter Alckmin na vice, apesar de discussões sobre uma possível candidatura ao Senado.
Tebet destacou seu posicionamento político ao se apresentar como uma figura de centro, com trânsito entre diferentes setores. “Tenho uma visão progressista em relação aos direitos humanos e não abro mão disso. Eu sou mais liberal na economia, então talvez esse balanço, esse equilíbrio, possa ajudar não só o partido, a legenda, mas essa frente ampla que nós queremos”, afirmou.
Durante o discurso, a ministra fez críticas ao governo anterior. “Pior, o mais insensível presidente da história deste país, que é Jair Messias Bolsonaro”. Ela também agradeceu a Alckmin pela articulação que viabilizou sua entrada no partido e sua mudança de domicílio eleitoral para São Paulo. “Meu nome está à disposição para o Senado”, disse.

A filiação reuniu lideranças importantes, como o próprio Alckmin, o ministro Márcio França, a deputada Tabata Amaral e o ex-ministro José Dirceu. Em sua fala, Alckmin elogiou Tebet e destacou o papel dela no atual governo. “O presidente Lula salvou a democracia no Brasil. Se eles [do governo Bolsonaro], perdendo as eleições, tentaram dar um golpe, imagina vencendo?”, afirmou.
Tabata Amaral também reforçou o discurso de defesa da democracia e a importância da aliança política. “Esse projeto autoritário foi derrotado. E isso só foi possível porque duas pessoas, no tempo certo, tiveram a coragem de se colocar a serviço do país”. Ela acrescentou: “Sem a firmeza, a coragem, o compromisso democrático e sem a decisão de colocar o Brasil acima de qualquer projeto pessoal, a história teria sido outra. Essas duas lideranças que ajudaram a salvar a nossa democracia estão agora no mesmo partido”.
A mudança partidária de Tebet ocorre após sua saída do MDB, sigla à qual era filiada desde 1997. A decisão foi influenciada pelo alinhamento do MDB com a reeleição do governador Tarcísio de Freitas em São Paulo, o que inviabilizou sua candidatura pelo partido no estado.
Segundo pesquisa Datafolha, Tebet aparece com 25% das intenções de voto ao Senado em um cenário com Alckmin, que lidera com 31%. A disputa ainda está em aberto, e o PSB articula a composição completa da chapa, incluindo a possibilidade de indicar o vice de Haddad.
Ao comentar a formação da chapa ao Senado, Tebet afirmou: “Eu prefiro mulher em todos os lugares, espaços de poder, mas a gente sabe que entre o ideal e o possível, a gente tem que ficar com o possível”. A declaração indica a defesa por maior participação feminina, mas também a necessidade de negociação política.